Início
Corpo Editorial
Normas de Publicação
Assinaturas
Livraria On-line
Entidades
Volume 45
Volume 44
Volume 43
Volume 42
Volume 41
Volume 40
Volume 39
Volume 38
Volume 37
Volume 36
Volume 35
Links
Fale Conosco
English
Español
 
Editorial
Leopold Nosek
11
     
     
  Diálogo
Entrevista: Carlos Augusto Calil
15
     
Fracassos e sucessos na vida institucional e sua lógica paradoxal
[Comentário à entrevista de Carlos Augusto Calil]
Luís Claudio Figueiredo
29
   
Sobre os 100 anos da IPA: entre a informalidade e a institucionalização
[Comentário à entrevista de Carlos Augusto Calil]
Cláudio Laks Eizirik
33
     
     
  Temáticos  
Sobre instituições, inclusive as nossas
Plinio Montagna
39
     
Os paradoxos da Psicanálise
Susana Muszkat
51
     
A instituição psicanalítica como matriz simbólica – vicissitudes de uma formação auto gerida
Alfredo Naffah Neto
59
     
Algumas questões sobre a instituição e a psicanálise
Wilson Amendoeira
69
     
A SPMS e a IPA: sonhos, encontros e desencontros
Gleda Brandão Coelho Martins de Araújo
79
     
     
  Artigos  
Reflexões sobre não-sonho-a-dois, enactment e função alfa implícita do analista
Roosevelt M.S. Cassorla
91
     
Contribuição ao estudo da compulsão à repetição: dualidades, demonidades e dimensionalidades
Maria Thereza de Barros França
121
     
Notas sobre o conceito de splitting (Spaltung) à luz de questões de tradução
Elsa Vera Kunze Post Susemihl
133
     
     
  Intercâmbio  
Algumas ideias a respeito da IPA 100 anos após a sua fundação
Stefano Bolognini
145
     
     
  Resenhas
The Struggle against Mourning
Escape from Selfhood
Ilany Kogan
Daniel Delouya
151
     
Rumor na Escuta
Luiz Meyer
Renato Mezan
157
     
   
Lançamentos
175
     
Agradecimentos
179
     
Orientação aos colaboradores
183

 

Editorial
Leopold Nosek


Este é o último número feito por este grupo editorial. Trabalhamos com uma equipe predominantemente jovem e muito nos orgulha os resultados obtidos dos quais, entre eles, destaca-se a criação de um novo grupo capaz de colaborar nas tarefas institucionais às quais fazemos face. Esta edição trata predominantemente de questões institucionais. O pretexto para esta reflexão origina-se da comemoração do centenário da Associação Psicanalítica Internacional (IPA). Fundada em 1910 por Sigmund Freud, teve como objetivo divulgar e proteger a nova disciplina de modo a manter íntegro o seu método e sua prática. Organizou-se como uma associação de membros, à medida que era pequeno o número de praticantes da psicanálise e, diante de turbulências que a situação política apresentava, teria como finalidade dar guarida e proteção aos seus praticantes. A migração era frequente, às vezes mesmo dolorosamente necessária. Esta forma organizativa se manteve, apesar das enormes mudanças ocorridas no cenário tanto da prática e aceitação da psicanálise como do meio sociopolítico que abriga esta prática. Para apontar rapidamente algumas mudanças, a psicanálise, que de forma alguma se mantém restrita aos limites da organização fundada por Freud, tornou-se patrimônio da humanidade. Mesmo dentro dos marcos de sua organização tradicional os analistas têm uma forma organizacional onde a filiação somente se dá primariamente através de sociedades psicanalíticas locais e a seguir nas federações. Apesar de sua imensa importância é comum os analistas sentirem uma enorme distância da organização internacional. É frequente a crítica, mas, por outro lado, é raro o abandono da filiação da organização internacional. Esta teve aperfeiçoamentos no decurso de sua história, permanece tendo enorme importância na afirmação da identidade dos praticantes, podemos inclusive notar que todos grandes desenvolvimentos teóricos clínicos se dão nos marcos dessa organização. Mesmo assim, tendo como pano de fundo a existência forte e segura da IPA, a reflexão crítica é necessária e permanente: faz sentido sermos uma organização de membros ou seria também interessante contemplar uma organização por sociedades? O que seria mais democrático e representativo? Quais as consequências favoráveis e desfavoráveis de uma organização ter o controle da reprodução de seus membros? Como favorecer a criatividade e evitar os excessos da tradição e da burocratização das instituições? São perguntas que estão sempre presentes e encontram respostas parciais e permeiam nossa participação. N ada melhor para comemorar nosso centenário do que propor uma participação reflexiva.

As instituições têm méritos e mazelas em comum, assim iniciamos nosso número com uma entrevista com o secretário municipal da cultura Carlos Kalil, que tem ampla participação e reflexão acerca de organizações culturais das quais fez parte. Como contraponto especificamente psicanalítico teremos, entre outros, os comentários de Claudio Eizerik, primeiro presidente brasileiro da IPA e o artigo de Plinio Montagna, presidente da SBPSP e um dos representantes latino-americanos no Board atual.

Não resisto à tentação de remeter os leitores que, além de lerem o que publicamos, que se detenham sobre o livro de Domenico de Masi, A Emoção e a Regra, Os Grupos Criativos na Europa de 1850 a 1950. N esse livro, ao se estudarem grupos como Bauhaus, Instituto Pasteur, Escola de Frankfurt, grupo Bloomsbury e outros, visualizam-se as mudanças encontradas por grupos no modelo pós-industrial onde o fordismo, o taylorismo, o stakanovismo de inspiração na construção eficaz de linhas de montagem dá lugar a formas organizativas onde a necessidade criativa ganha a primazia.

D. Masi encontra nesses grupos as seguintes características que cito textualmente:

… convivência pacífica, na mesma equipe, de personalidades maníaco-depressivas com personalidades dotadas de grande equilíbrio; a procura obstinada de um ambiente físico acolhedor, bonito, digno, funcional; a flexibilidade dos horários, mas também a capacidade de sincronismo e de pontualidade; a interdisciplinaridade e a forte complementaridade e afinidade cultural de todos os membros; a habilidade na concentração de energias de cada um no objetivo comum; a capacidade de captar tempestivamente as ocasiões, de calibrar a dimensão do grupo em relaçãoà tarefa, de encontrar os recursos, de contemporizar a natureza afetiva com o profissionalismo de modo a facilitar o intercâmbio entre desempenho e funções.
Mas o que se destaca acima de qualquer outro aspecto é a preeminência do líder-fundador, capaz de uma dedicação quase heróica para com o objetivo; excepcionalmente eficaz na criação de um set psicossocial, um clima, um fervor fora do comum…

Não podemos deixar de ver essas características nos momentos pioneiros de nossas organizações, mas será ainda assim hoje? Temos ainda líderes carismáticos? N ecessitamos deles ainda? Serão as características nomeadas por D. Masi realmente as que necessitamos? Esperamos que este número possa enriquecer as perplexidades que compartilhamos.

Despedimo-nos aqui, já com a nostalgia de uma prática que nos foi enriquecedora e de um convívio da equipe com seus colaboradores e leitores que sempre nos foi gratificante.

Permanece nossa gratidão…

Leopold Nosek
SP, fevereiro 2010

 

Voltar


 

Fracassos e sucessos na vida institucional e sua lógica paradoxal
[Comentário à entrevista de Carlos Augusto Calil]
Luís Claudio Figueiredo, São Paulo

 

Resumo: Tanto as situações de impasse e fracasso como os casos relativamente bem sucedidos da vida das e nas instituições exigem que se pense em termos de paradoxos ou, em uma linguagem filosófica, segundo a lógica da suplementaridade. O grande desafio para os que participam da vida institucional e, principalmente, se responsabilizam pelas instituições é o de desenvolver a arte de apreender estas dinâmicas paradoxais e operar com elas.
Palavras-chave: instituição; paradoxo; suplementaridade.

 

Voltar


Sobre os 100 anos da IPA: entre a informalidade e a institucionalização
[Comentário à entrevista de Carlos Augusto Calil]
Cláudio Laks Eizirik, Porto Alegre

 

Resumo: O autor reflete sobre suas experiências recentes na IPA, relatando e discutindo características e episódios que lhe parecem específicos das instituições psicanalíticas. Sugere algumas possíveis maneiras de entendê-los e aponta para áreas que necessitam desenvolvimento.
Palavras-chave: instituição psicanalítica; IPA; movimento psicanalítico.

 

 

Voltar


Sobre instituições, inclusive as nossas
Plinio Montagna, São Paulo

 

Resumo: O autor discorre sobre aspectos dinâmicos e operacionais de funcionamento das instituições, fatores de resiliência e a oposição indivíduo/grupo dentro da estrutura organizacional, ocupando-se, a seguir, de especificidades desses aspectos nas instituições psicanalíticas, tal qual existem hoje.
Palavras-chave: instituição psicanalítica; resiliência; identidade; cisão; formação psicanalítica; oposição indivíduo/grupo.

 

 

Voltar


Os paradoxos da Psicanálise
Susana Muszkat, São Paulo

 

Resumo: O trabalho reflete acerca do paradoxo existente na Psicanálise onde, se por um lado tornou-se patrimônio cultural do ocidente, por outro, parece viver um distanciamento em relação ao mundo contemporâneo e outras teorias do conhecimento. O trabalho avalia a institucionalização da psicanálise e os efeitos disso neste centenário da IPA.
Palavras-chave: Psicanálise; instituição psicanalítica; formação psicanalítica; IPA; IPSO; paradoxo.

 

 

Voltar


A instituição psicanalítica como matriz simbólica –
vicissitudes de uma formação auto gerida

Alfredo Naffah Neto, São Paulo

 

Resumo: Este artigo define a instituição psicanalítica como uma matriz simbólica, que compreende um conjunto de prescrições mínimas definidoras da disciplina psicanálise e do profissional psicanalista. Em seguida, descreve as vicissitudes de uma formação auto gerida, discutindo as vantagens e desvantagens da mesma. Por fim, descreve a forma de inserção da psicanálise na universidade.
Palavras-chave: instituição psicanalítica; matriz simbólica; formação psicanalítica; universidade.

 

 

Voltar


Algumas questões sobre a instituição e a psicanálise
Wilson Amendoeira, Rio de Janeiro

Resumo: O autor contrapõe a visão da Psicanálise como um corpo de ideias vivo e poderoso com a precariedade dos laços que unem os psicanalistas com suas instituições, focalizando a Associação Psicanalítica Internacional. Apoiado em reflexão sobre o que um ambiente institucional estimulante deve oferecer aos psicanalistas e fazendo contraponto com a tradição de centralização e monopólio de poder, o autor desenvolve um breve histórico sobre as raízes desta tradição e como ela se perpetuou na API e apresenta os pilares que permitem a retomada de sua função de geradora de desenvolvimento científico e clínico, com o estímulo ao pensar livre e criativo.
Palavras-chave: psicanálise; tradição; desenvolvimento científico; democratização institucional.

 

Voltar


A SPMS e a IPA: sonhos, encontros e desencontros
Gleda Brandão Coelho Martins de Araújo, Campo Grande

 

Resumo: Neste trabalho a autora relata as relações entre a Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul (SPMS) e a Associação Psicanalítica Internacional (IPA), percorrendo uma linha transversal na história da sociedade desde o período “pré-psicanalítico” até os dias atuais. Divide o percurso em três tempos: o período sem a presença da IPA, o período da presença indireta da IPA e, finalmente, o período em que a relação direta com a IPA se estabeleceu.
Palavras-chave: psicanálise; história; movimento psicanalítico; instituição psicanalítica.

 

Voltar


Reflexões sobre não-sonho-a-dois, enactment e função
alfa implícita do analista

Roosevelt M.S. Cassorla, Campinas

Resumo: Este trabalho aprofunda a discussão, iniciada em outros textos, sobre não-sonho-a-dois, enactment e função alfa implícita do analista em que se discutiam dificuldades da dupla analítica em lidar com áreas de mente não simbolizadas. As ideias iniciais surgiram de configurações clínicas em que o analista estava envolvido em um conluio obstrutivo, sem se dar conta dele, constituindo-se não-sonhosa- dois ou enactments crônicos. Em determinado momento (Momento M) um ato impensado, reflexo da situação da dupla analítica, indica mudança catastrófica potencialmente destrutiva do processo analítico. No entanto, surpreendentemente, após esse ato o processo se torna mais criativo. Demonstra-se que nesse momento M (nomeado enactment agudo) são revividas, em forma atenuada, situações traumáticas que não haviam sido simbolizadas e que se mantinham escondidas durante o conluio obstrutivo inicial. A observação clínica leva o autor a concluir que durante esse conluio inicial (não-sonhos-a-dois) a dupla analítica se paralisava para evitar contato com a realidade, sentida como traumática. Mas, ao mesmo tempo, através de comunicação inconsciente entre paciente e analista, este injetava função alfa implícita no paciente. Essa injeção é feita pouco a pouco, evitando retraumatismo, e recuperando áreas traumatizadas. Em determinado momento, quando ocorre suficiente recuperação, o campo analítico é tomado por não-sonhos traumáticos que estão sendo sonhados, ao vivo. Dessa forma eles podem ser incluídos na rede simbólica do pensamento. São apresentadas hipóteses sobre funções dos não-sonhos-a-dois e sobre a comunicação inconsciente entre paciente e analista que possibilitam o sonho, através da função alfa implícita. Finalmente, o autor se propõe a classificar os não-sonhos sob diferentes vértices e supõe que o analista, enquanto re-sonha o sonho de seu paciente, em área não psicótica, pode estar, em forma implícita e ao mesmo tempo, sonhando não-sonhos psicóticos, traumáticos e outros que escondem áreas de não representação da mente primordial.
Palavras-chave: trauma; sonhar; função alfa implícita; comunicação inconsciente; técnica analítica; teoria do pensamento; Bion; reversão da perspectiva; não-sonho; não-sonho-a-dois; mudança catastrófica; transformações; classificação de não-sonhos.

 

 

Voltar


 

Contribuição ao estudo da compulsão à repetição:
dualidades, demonidades e dimensionalidades

Maria Thereza de Barros França, São Paulo

Resumo: A autora inicia abordando as dualidades pulsionais, as “demonidades”, atributo com o qual Freud qualificou a compulsão à repetição em íntima relação com a pulsão de morte, e a proposta de Green de que se pode observar a compulsão à repetição dissociada do acting-out.
A partir das dimensionalidades de Meltzer (evolução das identificações self-objeto na mente primitiva), propõe que os fenômenos ligados à bidimensionalidade encontram-se em estreita relação com a compulsão à repetição, podendo (ou não) representar obstáculo à construção de um continente mental.
Os processos de “desmanche” do continente, pela ação massiva de mecanismos de defesa, ligados às pulsões destrutivas, resultam em despojamentos crescentes de significado emocional.
A teoria das dimensionalidades se revela um interessante instrumento para a prática clínica no sentido da observação das manifestações da compulsão à repetição, tal como está ilustrado nos casos clínicos apresentados: uma adolescente, um latente e uma criança pequena.
Palavras-chave: compulsão à repetição na infância; dimensionalidades de Meltzer; mente primitiva.

 

 

Voltar


Notas sobre o conceito de splitting (Spaltung)
à luz de questões de tradução

Elsa Vera Kunze Post Susemihl, São Paulo

 

Resumo: A partir da observação da dificuldade existente na discussão clínica e teórica em torno da ideia de splitting (Spaltung), também atribuída a uma imprecisão nas diferentes traduções (alemão, inglês, português), a autora faz um rastreamento resumido da origem e do desenvolvimento do conceito de splitting (Spaltung) em Freud, Klein e Bion, tentando destacar sua continuidade e descontinuidade nas concepções desses autores à luz de comentários sobre algumas traduções.
Palavras-chave: splitting; cisão; divisão; dissociação; clivagem; renegação; recalque.

 

 

Voltar

 


 



Rua Sergipe, 475 - 8º s/ 807 - São Paulo - SP - Brazil
Phone: (11) 3661-8709 Fax: (11) 3661-9473
E-mail: correio@rbp.org.br