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Editorial
Leopold Nosek
   
   
  Diálogo
Entrevista: Fúlvio Alexandre Scorza
   
Comentário à entrevista de Fúlvio Alexandre Scorza
Leila Tannous Guimarães
   
Em que nos toca a neurociência? Comentário à entrevista de Fúlvio Scorza
Plinio Montagna e Yusaku Soussumi
   
   
  Artigos
Especificidade no processo de elaboração do luto na adol
PBernardo Tanis
   
O sistema mental determinante da inveja
Walter Trinca
   
Intersubjetividade e especificidade em psicanálise
Adalberto A. Goulart
   
Uma aproximação ao mundo dos conteúdos oníricos e a cesura
Edival Antonio Lessnau Perrini
   
A questão da Psicanálise em Fabio Herrmann. Crise em crise?
Leda Herrmann
   
Deep Fritz versus Sigmund Freud: a luta do século
Juarez Guedes Cruz
   
A psicanálise como atividade. Desafios e resistências
Ney Marinho
   
A compulsão nossa de cada dia
Miguel Calmon du Pin e Almeida
   
A "Via Sacra" do filicídio no processo analítico
Giovana Borges e Ignácio A. Paim Filho
   
A clínica psicanalítica atual: obsessão, compulsão, fobia e pânic
Theodor Lowenkron
   
Consciência moral primitiva: um vislumbre da mente primordial
José Américo Junqueira de Mattos e João Carlos Braga
   
   
  Intercâmbio
Místico, conhecimento e trauma
César Botella e Sara Botella
   
Sobre a ação terapêutica da psicanálise no século XXI
Marilia Aisenstein
   
   
  Resenhas
Linguagens e pensamento
Nelson da Silva Junior
Renata Udler Cromberg
   
Arte, dor: inquietudes entre estética e psicanálise
João Augusto Frayze-Perei
Silvana Rea
   
Sonhar, dormir e psicanalisar: viagens ao informe
Decio Gurfinkel
Cecilia Luiza Montag Hirchzon
   
   
Lançamentos
   
Orientação aos colaboradores

 

Editorial
Leopold Nosek


Preparando as malas

O trabalho institucional pode ter correspondência com uma corrida de revezamento: recebemos o bastão de quem nos precede, fazemos o melhor possível e, para o bom desempenho, corremos um período junto com quem vai prosseguir com a tarefa e entregamos o bastão. Esta equipe está com o encargo da Revista pouco mais de quatro anos.É um bom período. Uma equipe jovem tomou a si a tarefa – a maior parte de seus integrantes sem experiência prévia em trabalho editorial – e podemos dizer que hoje sabe como realizá-lo. Tomou a si o patrimônio herdado de Durval Marcondes que fez um número em 1928, enviou o resultado de seus esforços a Sigmund Freud que a comemorou em carta que recordamos a cada edição. É uma forma de significar não só a nossa origem como a fidelidade à nossa especificidade, ao nosso método, à nossa prática e à nossa teoria. Retomada sua edição em 1967 pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, foi doada à Associação Brasileira de Psicanálise (federação das sociedades brasileiras) com o acordo de que o editor se mantivesse indicado pela sociedade paulista. O sotaque paulista causava mal-estar e na reforma dos estatutos de 1992 quando se finalizou com o sistema de rodízio das diretorias e se instituiu diretorias plurissocietárias, assim fortalecendo sensivelmente o caráter democrático da instituição, houve um acordo renovado em relação à Revista: a editoria permaneceu em São Paulo e, como contraparte, teríamos a criação da sede da federação no Rio de Janeiro, o que de fato ocorreu. Atualmente a Revista também tem sede própria adquirida na gestão de Plínio Montagna. Recebemos, então, a herança de muitos editores.

Para citar apenas os mais recentes a partir de 1986: David Léo Leviski, Paulo Cesar Sandler, Elias Mallet da Rocha Barros, Plinio Montagna e João França.

Deles recebemos um acervo e esperamos que seja dada sequência. O novo editor a partir do volume 44, número 1, será Bernardo Tanis, a quem damos as boas-vindas. Estaremos finalizando as edições que nos cabem este ano e abrindo espaço de trabalho conjunto para que a equipe nova já possa iniciar os trabalhos do próximo ano, de modo que o processo não sofra atraso em sua continuidade. Assim, os colaboradores para os números futuros já podem se dirigir à nova editoria.

Não é o caso, neste momento, de trazer à tona os desenvolvimentos que alcançamos; acreditamos ser mais útil apontarmos direções a serem atingidas e impasses não resolvidos por nós. De certa forma não conseguimos retificar propriamente o sotaque paulista da Revista. Obviamente, São Paulo possui uma sociedade muito grande e produtiva, além de única em seu ambiente, mas isto não explica tudo. A distância dos editores regionais deve ser diminuída e estes devem ser chamados a se comprometer mais com a Revista. No último congresso brasileiro ficou acordado que teríamos edições temáticas propostas e encaminhadas pelos editores regionais. Isto já está encaminhado, mas maturará no futuro. Também foi definido que a Revista faria edições temáticas simultaneamente ao conjunto das revistas regionais, de modo que o conjunto dos participantes da Febrapsi pudesse se envolver em uma reflexão conjunta fortalecendo nosso caráter federativo.

Outra questão importante é a pontuação acadêmica da Revista. É uma questão maior, pois os autores se preocupam com a repercussão de seus trabalhos e o acesso às verbas distribuídas é definido por estes padrões. Sempre nos batemos com a incompreensão dos avaliadores acerca de nossa especificidade enquanto disciplina científica e caímos numa discussão infindável acerca de nosso método de pesquisa e da nossa formação fora dos muros da academia. Tivemos que abrir mão de vários benefícios em função deste permanente mal-entendido, pois optamos pela manutenção de nossos princípios. N o entanto, assistimos nos últimos tempos uma sensibilidade renovada dos órgãos reguladores acerca da nossa característica própria. Revistas das escolas de arte, artes plásticas, teatro, musica etc. sofrem do mesmo problema nas universidades e já há um novo consenso em relação às suas publicações e formato de suas teses e pesquisas. N ossa luta pode então fazer valer nosso pensamento e encontrar formas de acordo com esses organismos gestores. É uma sequência necessária e que pode dar enorme força à nossa Revista, inclusive porque, como é fácil imaginar, sempre nos debatemos com uma falta crônica de verbas. Assim, trabalhos de tradução, edição e revisão que poderiam e deveriam ser profissionalizados, são feitos de forma amadora e dependente da enorme boa vontade da equipe, retirando sua energia de tarefas mais específicas que poderia estar realizando.

Outro desenvolvimento necessário é o de incrementar a instância crítica e de ajuda aos autores na elaboração de seus artigos. Se, por um lado, fazemos frente às nossas dificuldades enquanto equipe, vale notar que não temos a maturidade de fazer face a estes processos que são, na maior parte das vezes, vistos como intrusão e crítica injustificadas.

Enfim, neste trabalho de desenvolvimento de nossa ciência e implementação do caráter federativo de nossa instituição, e chegado o momento de passar o bastão, esperamos que as realizações que alcançamos e o resultado dos esforços de uma equipe dedicada e apaixonada pelo desafio que lhe foi proposto, também tenham sido notadas e apreciadas. Sentimos-nos recompensados, de antemão, pois a tarefa foi em si gratificadora inclusive pelos desenvolvimentos que cada um dos membros da equipe, tenho certeza, pôde alcançar.

Leopold Nosek
SP, novembro 2009

 

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Em que nos toca a neurociência?
Comentário à entrevista de Fúlvio Scorza

Leila Tannous Guimarães, Campo Grande

 

Resumo: Este texto é um comentário da entrevista concedida pelo Prof. Fúlvio Scorza à Revista Brasileira de Psicanálise. Visando a interface da neurociência com a psicanálise, o comentário destacou a relação entre neuroplasticidade e memória, corpo/mente, utilização combinada de drogas e psicoterapias e, por fim, a relação entre o consumo de drogas (álcool e cocaína), além do stress, como fatores lesivos aos neurônios e impeditivos da neurogênese.
Palavras-chave: neurociência; psicanálise; memória; neuroplasticidade.

 

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Em que nos toca a neurociência?
Comentário à entrevista de Fúlvio Scorza
Plinio Montagna, São Paulo
Yusaku Soussumi, São Paulo

 

Resumo: Os autores apresentam ideias sobre a possível integração e cooperação entre a psicanálise e as neurociências, apontando fatores favoráveis e as resistências de profissionais de ambas as áreas para um diálogo mais frutífero.
Mostram, através da entrevista de Fúlvio Scorza, da experiência psicanalítica e de pesquisas e leituras na área da neurociência, exemplos de elementos úteis, os quais confirmam a propriedade da cooperação, que pode ser muito útil a todos.
Palavras-chave: processo psicanalítico; neurociências; neuropsicanálise; memória; resistências; diálogo interdisciplinar.

 

 

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Especificidade no processo de elaboração do luto na adolescência

Bernardo Tanis, São Paulo

 

Resumo: Propomos neste trabalho, a partir da nossa experiência clínica, a hipótese da existência de certas particularidades na elaboração das perdas na adolescência; especificamente abordamos o penoso processo de luto pela morte do pai. Os processos identificatórios, as questões inerentes à sexualidade e identidade de gênero, assim como os conflitos inerentes à constelação edípica adquirem singular intensidade nesse período da vida.
Consideramos importante abordar essas questões pelo esclarecimento que podem trazer para a tarefa clínica com esses analisandos e pelo enriquecimento da nossa compreensão metapsicológica da constituição do psiquismo do adolescente.
Ampliamos a compreensão do lugar psíquico dos processos temporais, identificatórios e de simbolização, assim como o impacto dos mesmos na vida adulta.
Palavras-chave: adolescência; morte do pai; elaboração do luto; identificação.

 

 

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O sistema mental determinante da inveja

Walter Trinca, São Paulo


Resumo: A inveja, como um fato clínico, é originária da intensificação do ódio, sendo mobilizada pela pulsão de morte voltada contra o próprio sujeito invejoso. O ódio tem como consequência o distanciamento de contato do invejoso com seu próprio ser. Uma situação que levaria ao esvaziamento do self, caso não surgisse a inveja como medida compensatória ao esvaziamento, sob a forma de sensorialidade.
Trata-se da sensorialidade do ódio dirigido ao que evoca as insuficiências do invejoso, tendo em vista remover a fonte de seus sofrimentos. O ódio ao beneficiário do que é esejado substitui o ódio do invejoso contra si próprio. Tal sensorialidade tem por finalidade manter algo a respeito da validade e da bondade do sujeito invejoso. O autor considera que desse modo não é necessário alterar os elementos básicos da concepção kleiniana clássica de inveja.
Palavras-chave: psicanálise contemporânea; teoria psicanalítica; sensorialidade; sistemas mentais; inveja.

 

 

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Intersubjetividade e especificidade em psicanálise
Adalberto A. Goulart, Aracaju

 

Resumo: Partindo do conceito de Pulsão em Freud, o autor tece considerações sobre a importância da função materna e sua interação com o bebê como base fundamental para a construção da nova personalidade. Desenvolve o tema chegando à relação analítica e discute a importância da presença da personalidade total do analista na sessão, inclusive enquanto pessoa real, tanto quanto a do paciente, interagindo e interferindo no processo, apesar da neutralidade técnica buscada. O conceito de intersubjetividade é destacado como sendo a fantasia da dupla no campo analítico, construída pelo encontro das subjetividades de ambos os componentes, que serão resgatadas posteriormente, nas suas diferenças, tendo sido enriquecidas pelo encontro intersubjetivo. Destaca a importância de certa dose de coragem e ousadia que o analista precisa ter para que possa fazer uso da matéria-prima que emerge no campo intersubjetivo, sempre amparado por uma sólida formação psicanalítica, por seus estudos e especialmente por uma experiência de análise pessoal satisfatória. Sugere que o trabalho analítico consiste em construir novos significados e que, trabalhando no espaço intersubjetivo, a dupla analítica se torna mais integrada, mais viva, mais criativa e, especialmente, mais verdadeira.
Palavras-chave: Trieb; papel materno; intersubjetividade; diálogo psicanalítico; psicanálise

 

 

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Uma aproximação ao mundo dos conteúdos oníricos e a cesura

Edival Antonio Lessnau Perrini, Curitiba


Resumo: O autor apresenta relatos clínicos, pessoais, e retirados da literatura para pensar experiências emocionais ligadas ao que Bion denominou, em 1977, de Cesura.
Mostra que, na vivência da Cesura, partes dos protopensamentos e dos conteúdos oníricos da mente podem deixar sua forma potencial e indiscriminada para serem realizadas psiquicamente.
Enfatiza também que "trabalhar na Cesura", peculiaridade do método psicanalítico, é trabalhar com movimentos paradoxais que apontam para mudanças súbitas e inesperadas de estados mentais. E que suportá-las, na clínica e no cotidiano, em seu vazio imediato de significação, e contê-las, é o que pode possibilitar estas realizações.
Palavras-chave: cesura; experiência emocional; conteúdos oníricos; estados da mente.

 

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A questão da Psicanálise em Fabio Herrmann
Crise em crise?

Leda Herrmann, São Paulo

 

Resumo: O artigo expõe a ideia de Fabio Herrmann sobre a história da psicanálise como resistência à Psicanálise. Atribui a crise atual da Psicanálise à sua redução, depois de Freud, à clínica padrão de consultório, sustentada por uma teoria padrão.
Palavras-chave: Fabio Herrmann; Teoria dos Campos; clínica padrão; alta teoria.

 

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Deep Fritz versus Sigmund Freud: a luta do século
Juarez Guedes Cruz, Porto Alegre

Resumo: O autor examina alguns dos desafios feitos à psicanálise na atualidade. Parte da premissa de que, apesar das enormes diferenças entre a cultura da Viena do início do século XX e a sociedade tecnológica dos dias de hoje, é fundamental que o psicanalista mantenha-se atento às invariâncias do mundo interno, seu único e privilegiado foco no trabalho clínico. Detalha tal postura, caracterizada pela preservação do setting e pela atenção centrada no campo intersubjetivo criado pela relação com seu paciente.
Palavras-chave: psicanálise e cultura; pós-modernidade; psicanálise e tecnologia.

 

 

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A psicanálise como atividade
Desafios e resistências

Ney Marinho, Rio de Janeiro

Maria Thereza de Barros França, São Paulo

Resumo: O autor procura responder ao questionamento sobre o que seria específico e/ou revolucionário na psicanálise e o campo de resistências que ela geraria no presente. Parte de um vértice: o da psicanálise como uma atividade e, a partir deste ângulo, desenvolve sua resposta em três seções. A primeira discute a especificidade da epistemologia psicanalítica. A segunda, a radicalidade da clínica psicanalítica, tomando como referência um texto de Michael Brearley. A terceira é dedicada às resistências internas (a partir do próprio movimento psicanalítico) e externas (a partir da cultura). Finaliza desenvolvendo as epígrafes que abrem o trabalho e pretendem resumi-lo.
Palavras-chave: psicanálise; atividade; epistemologia; forma de vida; resistência; Michael Brearley; Wittgenstein; Bion.

 

 

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A compulsão nossa de cada dia

Miguel Calmon du Pin e Almeida, Rio de Janeiro

 

Resumo: O autor parte de suas experiências pessoais as mais mínimas para tentar estabelecer os pontos onde as compulsões se apoiam: pequenas marcas identificatórias, pequenas experiências que vão modelando os modos de ser e existir de cada um de nós. N esta direção, enfatiza o papel e a função do meio ambiente nos processos que resultam na capacidade de representar psiquicamente.
Palavras-chave: Parar de fumar; marcas identificatórias; compulsão e meio ambiente.

 

 

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A "Via Sacra" do filicídio no processo analítico
Giovana Borges, Porto Alegre
Ignácio A. Paim Filho, Porto Alegre

 

Resumo: Os autores se propõem a repensar a vigência do pensamento freudiano a respeito da importância do inconsciente do analista e, por conseguinte, sua análise pessoal no processo analítico. Diante dessa premissa, focalizam as consequências tanáticas no exercício de sua função, quando não se dá por parte do analista a aquisição de uma "determinada condição psicológica em alto grau". Tomam como escopo o acontecer simbólico do filicídio. Postulam que o destino de toda a transferência que seja perpetuada pelo repúdio ao feminino do analista determinará o assassinato da autonomia do analisando.
Assim sendo, ratificam o caráter interminável de toda a análise e a importância de que cada analista não viva, somente, como uma injúria narcísica o seu desejo e/ou a necessidade de voltar ao divã.
Palavras-chave: transferência; repúdio ao feminino; filicídio; narcisismo.

 

 

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A clínica psicanalítica atual: obsessão, compulsão, fobia e pânico
Theodor Lowenkron, Rio de Janeiro

 

Resumo: O trabalho apresenta o conceito de compulsão e busca abordar as manifestações de obsessão, compulsão, fobia e pânico enquanto categorias diagnósticas. Aponta que a psicanálise e a psicoterapia psicanalítica são abordagens terapêuticas eficazes nessas categorias diagnósticas.
Palavras-chave: compulsão; pânico; fobia; obsessão; psicanálise; psicoterapia psicanalítica.

 

 

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Consciência moral primitiva: um vislumbre da mente primordial
José Américo Junqueira de Mattos, Ribeirão Preto
João Carlos Braga, Curitiba

 

Resumo: Estudando mais de uma centena de supervisões dadas por Bion no Brasil, um dos presentes autores (JAJM) identificou referências, nas supervisões de 1978, a uma configuração psíquica, coloquialmente nomeada por Bion de consciência moral primitiva (primitive conscience). Em um rastreamento, foi possível identificar esta ideia também em outros artigos e seminários dessa época, como parte do modelo de mente utilizado por Bion em seus últimos anos de vida (1976-1979). São ideias sobre uma mente primordial, desenvolvida antes do nascimento, que parece se manter inalterada e ativa após este.
Com esta hipótese sobre os primórdios do psíquico, Bion chama a atenção para registros associados a órgãos atuantes precocemente no funcionamento somático (tálamo e adrenais), antes da disponibilidade do córtex cerebral para registros com potencialidade para representações.
Neste contexto, Bion conjectura que sentimentos de culpa muito primitivos, capazes de desencadear sanções cruéis, a ponto de serem mortais, apontariam a existência de uma moralidade primordial, que se manifesta impondo proibições, sem considerar a experiência para indicar escolhas. Desta maneira, impede experiências emocionais potencialmente criativas. Termos como terror sem nome e medo subtalâmico foram utilizados tentativamente por Bion, em outros momentos, para aproximar esta condição.
Palavras-chave: Consciência; superego; superego arcaico; mente primordial; Bion.

 

 

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Místico, conhecimento e trauma

César Botella e Sara Botella, Paris

 

Resumo: A última parte da obra de Bion se orienta, parece-nos, para preocupações mais místicas. Mas não se trata nem de um retorno ao passado nem de uma regressão. Muito ao contrário, estes trabalhos estão no nível dos trabalhos mais instigantes e desconcertantes de Freud, como "O futuro de uma ilusão" e "Moisés e o monoteísmo". Bion vai submeter ao crivo da psicanálise esta necessidade essencial do homem, isto é, a necessidade de dar um sentido ao seu mundo.
Palavras-chave: psicanálise; Bion; místico; conhecimento; trauma.

 

 

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Sobre a ação terapêutica da psicanálise no século XXI

Marilia Aisenstein, Paris

 

Resumo: A fim de apoiar a ideia de que a psicanálise atualmente faz parte do processo de civilização, a autora examina a noção de ação terapêutica da psicanálise à luz de importantes obras freudianas. Também discute a contribuição de alguns pensadores seguidores de Freud, como Klein, Bion, Green, Lacan e a influência deles. Ela considera que a psicanálise é um método único com condições de resistir aos ataques contra o pensamento que precisamos enfrentar atualmente.
Palavras-chave: pulsão; pulsão de morte; libido; processo analítico; Kulturarbeiten; civilização; processo de pensamento; trabalho interpretativo; transferência; perlaboração

 

 

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