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Editorial 
Leopold Nosek
11
   
   
  Diálogo
Entrevista: Isaias Raw
15
     

Trajetória de um cientista engajado: “Viver é perigoso”
[Comentário à entrevista de Isaias Raw]
Antonio Sapienza

24
     
Sonhar a psicanálise
[Comentário à entrevista de Isaias Raw]
Ana Rosa Chait Trachtenberg
27
     
     
  Artigos  

A análise didática deve ser mantida?
Luiz Meyer

33
     

Análise didática: uma questão sem solução?
Aloysio Augusto d’Abreuy

41
     

Do baluarte ao enactment: o “não-sonho” no teatro da análise
Roosevelt M. Smeke Cassorla

51
     

Confiança: a experiência de confiar na clínica psicanalítica e no plano...
Luís Claudio Figueiredo

69
     

A importância da teoria de Winnicott sobre a comunicação para a construção
do significado ético da psicanálise

Nelson Ernesto Coelho Jr. e Karina Codeço Barone

88
     
Traçados de linhas de memória e de observação da natureza da mente
Thaís Helena Thomé Marques
101
     
Processo psicanalítico e pensamento: aproximando Bion e Matte-Blanco
Viviane Sprinz Mondrzak
118
     
Cabelos : da etologia ao imaginário
Marina Trench de Oliveira
135
     
     
  Intercâmbio  
O analista trabalhando: modelos e teoria da técnica no momento atual
Fred Busch
155
     
O discurso do adolescente em análise e o esgarçamento do tecido transicional: a mudança da psicopatologia na sociedade contemporânea
Vincenzo Bonaminio
161
     
     
 

Resenhas de livros

 
Sexualidade começa na infância
Maria Cecília Pereira da Silva (org.)
Resenha: Luciana Estefno Saddi
173
     

Transmissão transgeracional e a clínica vincular
Angela B. S. Piva (org.)
Resenha: Belinda Mandelbaum

175
     

Uma visão da evolução clínica kleiniana. Da antropologia à psicanálise
Elizabeth Bott Spillius
Resenha: Haroldo Pedreira

180
     
   
Lançamentos
185
   
Orientação aos colaboradores   
189

 

Editorial
Leopold Nosek


     Isaias Raw nos diz, referindo-se à atividade científica, que ela é infinita. O conhecimento é parcial e dá margem sempre a novos descobrimentos. Ao falar dos parâmetros que definem o campo de uma ciência, cita Severo Ochoa, Prêmio Nobel de Medicina em 1959, que dizia a membros de sua equipe: “‘Esse é o buraco que você vai cavar’. E aí, quanto mais você cava, mais tem para cavar”. Isso é indiscutível – e conhecemos bem a situação em relação a nossa prática clínica e teórica. Mas Isaias acrescenta o risco: você pode morrer dentro do buraco sem enxergar o que está lá fora. A prática científica requer uma ética, e, estando no mundo, sofre sua influência. Na entrevista que publicamos na seção Diálogo, Isaias nos oferece uma pequena descrição desse seu trajeto fortemente comprometido com a realidade que vive, com escolhas políticas e recortes ideológicos. Viver num buraco não nos torna puros, nem deveria aquietar nossas consciências.
     O Diálogo, na Revista, permite-nos conhecer as vicissitudes e os êxitos que outros campos do pensamento enfrentam e como estes podem impulsionar a discussão em sua própria prática. Assim, Isaias nos aproxima de várias questões que poderiam ser nossas.
Em primeiro lugar, o compromisso com a prática e a possibilidade de pensá-la em circunstâncias problemáticas. Eles nos fala de sua opção pela juventude, pela formação de novos pesquisadores, o que o insere não na esfera do consagrado, mas na busca incessante do passo à frente. Questões como o que prestigiamos em nossos institutos e o que fazemos para facilitar a presença da juventude se colocam imediatamente. Põem o pesquisador no mundo, tanto em culturas diferentes como em formas de Estado diversas: democracia e autoritarismo.
     Obviamente, estas também permeiam as possibilidades da nossa prática. Isaias fala de influência, de circunstâncias sociais e seus valores, e não esquece o mercado. Até que ponto essas circunstâncias estão presentes em nossa reflexão? Que influências econômicas permeiam a discussão acerca da freqüência necessária para a presença de fatores ligados ao mercado? Até que ponto políticas sociais e planos de saúde não determinam, na prática, uma forma de pensar positivista? Até que ponto a concorrência com políticas de saúde determinadas por grandes campanhas farmacêuticas não nos trazem a tentação da pesquisa empírica? São questões que não se esgotam com a reflexão científica propriamente dita. Até que ponto, diante das novas seduções que nos tentam, não surge uma insidiosa corrupção dos nossos valores?
     Podemos pensar que, como em qualquer ciência, temos a precedência da ética: o respeito pela infinitude do nosso objeto. A impossibilidade de sua captura, ou melhor, a percepção da violência implícita nessa tentativa de posse. Se ética é pressuposto, nossa ética se compromete com a psicanálise ou com o humano?
     Questionar é importante, mas ainda mais importante é permitir que sejamos questionados. Deixar que o mundo nos ensine a ouvir. Se podemos pensar um analista mudo, é impossível concebê-lo surdo. Acreditamos que o momento da Revista Brasileira de Psicanálise não é tanto de ensino ou de divulgação. Será, sim, de aprendizado, para que tenhamos lucidez na crítica ao patrimônio que herdamos e possamos torná-lo apropriado aos novos tempos.
     A definição do objeto e o rigor do método tornam-se ainda mais necessários. A metapsicologia, tal como definida pelos clássicos, é o guia que impedirá a confusão com a psicoterapia, evitará a fuga em direção ao academicismo e manterá a possibilidade de reflexões férteis.

 

L. N.
São Paulo, novembro de 2007

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Isaias Raw

Isaias Raw (São Paulo, 1927) é médico e cientista. Publicou 99 trabalhos originais em revistas internacionais, 215 comunicações científicas e dezesseis livros. É professor emérito da USP e foi professor visitante da Universidade Hebraica de Jerusalém, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e da Harvard University School of Public Health, além de professor do Center Biomedical Education do City College of New York. Foi um dos fundadores das editoras da Universidade de São Paulo e da Universidade de Brasília, assim como da Funbec (Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do En­sino de Ciências), da Fundação Carlos Chagas (onde criou o Cescem, o vestibular unificado de me­dicina), da Fundação Butantan e da Fundação Sardi. Foi também um dos fundadores do curso de medicina experimental da USP. De 1990 a 1996, foi diretor do Instituto Butantan. No período de 1985 a 2002, fundou e dirigiu o Centro de Biotecnologia do Instituto. Atualmente preside a Fundação Butantan.


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Trajetória de um cientista engajado: “Viver é perigoso”
Comentário à entrevista de Isaias Raw
Antonio Sapienza

Resumo: Com a entrevista de Isaias Raw, o leitor acompanha um testemunho vivo que nos desperta admiração pelo engajamento humanístico em prol da preservação da qualidade de vida humana. A entrevista expõe trechos da trajetória biográfica de um homem idealista e revolucionário que se transformou num combatente experiente e realista.
Palavras-chave: ciência; política; ética; saúde pública.

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Sonhar a psicanálise
Comentário à entrevista de Isaias Raw
Ana Rosa Chait Trachtenberg

Resumo: A autora reflete sobre o lugar da psicanálise no mundo do conhecimento – se é uma ciência, uma arte, uma técnica etc. – e se coloca a favor de entendê-la em sua singularidade e em seu caráter revolucionário, tanto do ponto de vista histórico como do ponto de vista do exercício clínico, não podendo ser enquadrada em outras áreas do conhecimento humano.
Palavras-chave: ciência; revolução; sonho; singularidade; surpresa

 


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A análise didática deve ser mantida?
Luiz Meyer

Resumo: O artigo começa relembrando alguns dos pontos centrais que o autor abordou em seu trabalho “Subservient analysis” (International Journal of Psycho-Analysis, 2003, 84: 1241-1262), tais como a divisão entre classes de analistas, o proselitismo ideológico, a concentração excessiva de poder, a identificação realista, a atmosfera paranóide e as identificações doentias que caracterizam o funcionamento da análise didática. Finaliza essa parte com uma citação de Kernberg a respeito dos efeitos tóxicos do atual sistema de análise didática. Na segunda parte, baseado num poema de Antonio Machado, o autor propõe um modelo de análise de modo a ressaltar a disparidade e oposição entre a prática da análise tout court e de análise didática. Ao final, o autor mostra como a análise didática é uma produção histórica resultante de uma manobra política do estamento burocrático que visava manter e reproduzir a estrutura funcionante da Instituição imobilizando-a.
Palavras-chave: análise didática; instituição; burocracia.

 

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Análise didática: uma questão sem solução?
Aloysio Augusto d’Abreuy

Resumo: Inicialmente se procura caracterizar a psicanálise, definida e apresentada com diferentes objetivos, os quais se mostram coerentes e mesmo complementares, sendo assinalado o perigo de serem tomados isoladamente. São discutidos os aspectos peculiares da análise didática, como sua regulamentação, a relação do analista no meio societário e sua função didática. As motivações que podem levar um postulante a procurar uma análise didática também são alvo de considerações. Discute-se a divisão em duas psicanálises – a especial, para os candidatos, e a normal, para os pacientes –, bem como a divisão dos analistas em duas classes. A existência de um grupo de analistas considerado como elite possibilita que estes se arroguem o direito de ditar normas e regulamentos, excluindo a participação democrática de toda a instituição. O autor conclui afirmando que, se a análise dos que querem ser psicanalistas é um quesito indispensável a sua formação, não há como fugir de uma psicanálise que se chame ou não didática. Contudo, é necessário reformular os critérios que envolvem a análise de candidatos.
Palavras-chave: análise didática; análise especial; análise normal; análise regulamentada; análise autoritária.

 

 

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Do baluarte ao enactment: o “não-sonho” no teatro da análise
Roosevelt M. Smeke Cassorla

Resumo: O objetivo do trabalho é discutir modelos que expressem o que ocorre na situação analítica. Demonstra-se que os modelos iniciais, relacionados à pintura e à escultura, à história e à arqueologia, se expandem para outros que indicam relação entre duas pessoas. Estuda-se, em detalhes, o modelo de campo analítico, dos Baranger, com seus baluartes obstrutivos, base para a compreensão do que atualmente se valoriza como intersubjetividade em psicanálise. Em seguida se discutem o modelo continente/contido e o fenômeno do recrutamento do analista pelo paciente. A partir de material clínico, mostra-se como esses modelos se articulam com o enactment (“colocação em cena patológica da dupla”) e, a partir desse conceito, evidencia-se a importância da imagem visual, do sonho e do “não-sonho” e do conceito de “pictograma afetivo”, como aspectos privilegiados para a compreensão e evolução do pensar. Sua importância leva à proposta do modelo do teatro como metáfora de processo analítico. Nele, analista e paciente participam, ao mesmo tempo, como personagens e co-autores das cenas.
Palavras-chave: baluarte; enactment; campo analítico; não-sonho; modelos em psicanálise.

 

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Confiança: a experiência de confiar na clínica psicanalítica e no plano...
Luís Claudio Figueiredo

Resumo: A partir das elaborações teóricas e clínicas de psicanalistas como M. Balint, D. Winnicott e A. Green e com base em uma interpretação da vida social e cultural contemporânea (A. Giddens e
A. Elliott, entre outros), será focalizado o tema da confiança. Trataremos das condições sociais e psíquicas que dão suporte aos processos de constituição da confiança e, de outro ângulo, da confiança no ambiente e no objeto primário como condição para a saúde mental. Em especial, será apresentada uma visão acerca de como o processo de cura em psicanálise enfrenta hoje o desafio da desconfiança na relação terapêutica e de como a desconfiança incide nos tratamentos e nos diversos elementos do setting analítico na clínica contemporânea.
Palavras-chave: confiança; desconfiança; risco; modernidade; Balint; Winnicott; Green.

 

 

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A importância da teoria de Winnicott sobre a comunicação para a construção
do significado ético da psicanálise

Nelson Ernesto Coelho Jr. e Karina Codeço Barone

Resumo: A teoria de Winnicott sobre a comunicação contempla uma dimensão paradoxal. Ao reconhecer diferentes necessidades do self individual, Winnicott salienta tanto a necessidade de que o sujeito possa comunicar-se com os objetos, como a necessidade de que certos aspectos do self permaneçam continuamente não-comunicados. A autenticidade e a vitalidade do espaço terapêutico derivam da manutenção desse paradoxo entre comunicar-se e não se comunicar no diálogo psicanalítico. A ética do método psicanalítico sustenta-se nesse equilíbrio paradoxal de comunicação.
Palavras-chave: comunicação; Winnicott; ética.

 

 

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Traçados de linhas de memória e de observação da natureza da mente
Thaís Helena Thomé Marques

Resumo: A autora convoca algumas linhas de observação para construir o fio da memória através de materiais clínicos e caminhar em busca da representação de alguns dos fenômenos da natureza da mente, entendendo-a como dotada de complexidade a tal ponto que, somente por artifícios de ordem científica, os modelos, é possível falar de suas partes. Usando principalmente as formulações de Bion, procura expressar a interação entre o senso de existência e o senso de inexistência, ambos relacionados à falta. Na elaboração desses referenciais, chega ao senso de potência e propõe uma tentativa de sair da dicotomia que possam sugerir para assumir a transiência entre eles. Em seguida, faz considerações sobre a percepção de vestígios da presença e da ausência de objetos, ambas mentais e ocorrendo na base das experiências do vínculo emocional, e os relaciona a essas observações sobre o senso de existência e de inexistência ligados à falta.
Palavras-chave: senso de existência; senso de inexistência; senso de potência; falta; ausência; presença.

 

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Processo psicanalítico e pensamento: aproximando Bion e Matte-Blanco
Viviane Sprinz Mondrzak

Resumo: Através da aproximação entre Bion e Matte-Blanco, a autora procura destacar a visão do método psicanalítico como promotor de expansão da capacidade do paciente de pensar suas experiências emocionais. Em seguida a um pequeno resumo das idéias de cada autor, são destacados alguns pontos de confluência entre ambos: a forma de perceber o campo dos fenômenos observados pela psicanálise, a intuição como método para observar esse campo, os sentimentos como matéria-prima para o pensar, a importância do conceito de infinito em psicanálise. É salientada a forma como as idéias de Matte-Blanco auxiliam na compreensão das propostas de Bion. Após essas correlações, a autora se detém em questões referentes ao método psicanalítico, propondo um modelo no qual o analista funcionaria como um mediador/catalisador no processo de revisão das formas com que o paciente organizou suas experiências emocionais e as teorias construídas para sustentar essas hipóteses. Fragmentos de material clínico são apresentados.
Palavras-chave: processo psicanalítico; pensamento; experiência emocional; dor psíquica; bi-lógica.

 

 

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Cabelos : da etologia ao imaginário
Marina Trench de Oliveira

Resumo: O atendimento de uma criança que tinha grande atração por “cabelos” levou a autora a investigar o tema. Foi realizado um apanhado da função dos cabelos do ponto de vista anatômico, biológico e etológico, concluindo-se que, tendo uma função protetora onto e filogenética, os cabelos constituem a pré-concepção de um objeto que nos contém e mantém seguros. O fato de os cabelos se prestarem a ser utilizados como defesa contra diferentes tipos de angústia encontra expressão nos hábitos e costumes dos povos, em diferentes épocas, em seus mitos e contos. Os cabelos surgem também com freqüência nas situações clínicas, e a autora aponta seu uso para fazer frente às angústias de separação, sua manipulação como defesa contra angústias persecutórias, a alopecia como expressão do medo da perda do objeto de amor e como expressão de defesa contra o risco de se tornar “não-ser”.
Palavras-chave: reflexo de preensão; pré-concepção; mitos; identidade sexual; angústias primitivas.

 

 

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O analista trabalhando: modelos e teoria da técnica no momento atual
Fred Busch

Resumo:Ter capacidade de insight, e não apenas insight, é apresentado como objetivo central de um novo modo de pensar sobre a técnica psicanalítica. Ele se baseia na observação de que o que muda em psicanálise não é o que os pacientes pensam, mas, sim, o modo como eles pensam sobre o que pensam. São apresentadas várias metáforas que apreendem esse novo modo de trabalho.
Palavras-chave: insight; capacidade de insight; técnica psicanalítica; auto-observação; pensamento pré-consciente.

 

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O discurso do adolescente em análise e o esgarçamento do tecido transicional: a mudança da psicopatologia na sociedade contemporânea
Vincenzo Bonaminio

Resumo: Três pequenas vinhetas clínicas são relatadas para mostrar, através do discurso adolescente, como um “esgarçamento” mais ou menos extenso da experiência transicional pode ser considerado uma fonte de sofrimento psíquico e a origem de uma nova forma de “mal-estar na civilização” contemporânea. Como psicanalistas, deveríamos olhar a adolescência como um de nossos observatórios privilegiados, pela função que exerce de vínculo cultural entre gerações: as novas formas de descontentamento cultural perturbam a estruturação e o funcionamento da vida psíquica, em especial os processos de transformação e mediação, que são os mais frágeis e sensíveis aos efeitos metapsíquicos da intersubjetividade. À maneira de um observatório, a adolescência nos dá a chance de ver, quase em tempo real, o quão rápidas, totalizantes, transitórias e “inapreensíveis” podem ser as mudanças no modo de pensar e representar a realidade interna e externa, o quão incipientes e ao mesmo tempo abortivas elas podem ser. A adolescência ilumina aspectos do “mal-estar na cultura”, assim como os “descontentamentos” do analista, que precisa fazer frente a eles. Focalizam-se aqui alguns problemas em particular: o papel do trauma e seu impacto no ego, que não é “preparado” para cooperar com o que ainda não está representado, o conseqüente não-desenvolvimento da diferenciação entre realidade e fantasia, a legitimação progressiva da “auto-sensorialidade autística” e o aumento dos “distúrbios psíquicos autístico-miméticos” como um marco da idade.
Palavras-chave: adolescência; mudanças na psicopatologia; área transicional; trauma; defesas autísticas.

 

 

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