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Editorial
Leopold Nosek
9
     
Entrevista
Ferreira Gullar
13
     
   
  Diálogo
   
O poeta e o psicanalista
[Comentário à entrevista de Ferreira Gullar]
Marci Dória Passos
27
     
     
  Artigos  
     
A experiência dos místicos e a do psicanalista sob o vértice de Bion    
Odilon de Mello Franco Filho
33
     
O encontro psicanalítico como experiência estética   
Adriana Rotelli Resende Rapeli
48
     
Alteridade na clínica psicanalítica
Estela Ribeiro Versiani e Luiz Augusto Celes
60
     
Comportamentos não-verbais repetitivos e dimensionalidade psíquica 
Sonia Maria Mendes E. Mestriner
71
     
Mente. Infinito. Inexorável.
Cássia A. N. B. Bruno
89
     
Cuidando do cuidador. Poder e sofrimento psíquico na residência médica 
Marina Ferreira da Rosa Ribeiro e Maria Luiza Ferreira Forjaz
100
     
Sobre cesuras e tolerância de paradoxos
Adriana Salvitti
112
     
Observando o trânsito da existência
Thaís Helena Thomé Marques
124
     
Formação psicanalítica: uma nova instância de avaliação
Regina Murat, Carlos Alberto Quilelli Ambrosio e Roberto Bittencourt Martins
135
     
     
  Um olhar estrangeiro  
     
A leitura em espaços em crise       
Michèle Petit
149
     
     
  Resenhas de livros  
     
Psicoterapia psicodinâmica de longo prazo 
Glen O. Gabbard
Maria Luiza de Mattos Fiore
171
     
Transgeracionalidade. De escravo a herdeiro: um destino entre gerações
Ana Rosa C. Trachtenberg e outros
João Antonio Dornelles d’Arriaga
177
     
Torções na razão freudiana. Especificidades e afinidades
Daniel Delouya
Patrícia Gazire
182
     
A louca da casa
Rosa Montero
Mirian Malzyner
185
     
Lançamentos  
189
     
Normas de publicação 195










Editorial
Leopold Nosek


Pode-se dizer que há uma psicanálise brasileira? Temos usado essa qualificação, seguros de uma impunidade baseada no pressuposto de que o atributo nacional da prática em questão é evidente por si. Consideramos óbvio, quando necessário, que o meio influencia os objetos de qualquer prática cultural. Assim, militantes desta singular ciência que é a psicanálise, que nunca se decide a qual campo quer pertencer, cogitamos: será ela realmente integrante do campo da cultura, será uma arte ou será, com todo o direito, uma ciência, dotada de todas as características que acompanham um status tão arduamente conquistado? Apesar de tudo, de ser uma provecta senhora centenária, a psicanálise ainda permanece sempre na defensiva, pois seus companheiros de qualquer dos campos mencionados relutam em aceitá-la como um par no gozo de plenos direitos. Independentemente da afirmação de sua identidade – o que é uma discussão em si –, voltemos à polêmica adjetivação nacionalista.


Voltemos à idéia de matizes oriundos de diferentes meios sociais influindo na concepção que temos da psicanálise, truísmo que, como tal, não necessita demonstração. É evidente a tradição racionalista da psicanálise francesa, a par da influência da tradição hegeliana assumida pelos pós-lacanianos. Também é fácil constatar a influência do empirismo, tradição filosófica hegemônica inglesa, sobre o pensamento psicanalítico nesse meio. O mesmo se pode dizer do matiz pragmático da psicanálise norte-americana. Também se observa a perplexidade, quanto à sua tradição, do pensamento psicanalítico alemão no pós-guerra, saindo traumatizado da experiência nazista. Aliás, a própria entrada da prática analítica em um meio dependerá tanto das ideologias em vigor quanto das tradições presentes. Quando na URSS stalinista se faz hegemônica a idéia de que o homem é produto do meio, obviamente não há mais campo para as ciências da subjetividade. O meio de cultura para o cognitivismo e o comportamentalismo está instituído. Não deixa de ser uma ironia que nestes tempos pós-muro de Berlim, auge do triunfo da economia de mercado, essas ideologias se apresentem novamente com todo o vigor. Tempos de consumo e aparência requerem rapidez de desempenho, e neles o positivismo se mostra o mais apto a exercer as funções da consciência. Paradoxalmente, na Alemanha nazista a psicanálise teve grande desenvolvimento. Numerosos ambulatórios foram implantados, inclusive para as classes mais pobres, tudo sob a égide do Instituto Goering. Obviamente, como se apregoava na época, a psicanálise estava depurada dos espíritos fracos: os judeus e as mulheres. Como a ideologia vigente no momento se detinha sobre a alma alemã, essa formulação permitia conceber sofrimentos do espírito. Práticas psicoterápicas se tornaram bastante comuns, mas depuradas também das teorias da sexualidade infantil.


Hoje, sabemos que a psicanálise se defronta com problematizações específicas em meios onde sua prática é patrocinada por seguros médicos ou por assistência social governamental. Sofre também assédio por parte de atividades médicas altamente lucrativas. Seria ingênuo pensar que essas influências não nos afetam, seja na prática cotidiana, seja no acento teórico que as justifica.


Em nosso meio, onde as tradições são mais fluidas, a possibilidade de múltiplas influências teóricas é maior, tendo como contraponto, no entanto, a percepção de um rigor mais frouxo. Ao lado de uma flexibilidade clínica mais acentuada, teremos também um risco maior de desfazer a especificidade do método.


Não há dúvida de que uma ciência conterá universais, não importando o meio e a época – assim será com conceitos como inconsciente, recalque, sexualidade infantil, transferência e tantos outros. Estes fornecerão a base, o chão comum de definição do nosso campo de reflexão e a comunicação possível entre os que praticam esta ciência. Contudo, mesmo essas definições básicas adquirem configuração particular no quadro de estruturas conceituais específicas. Além disso, nossos conceitos, ao se reportar a um objeto como o inconsciente, vão entranhar seu colorido no caráter dele. Não será possível uma definição estrita; eles vão adquirir identidade por aproximação metafórica e em redes associativas. São, portanto, de grande fluidez e têm grande potencial imaginativo, têm algo de uma aproximação poética.


Aí nos deparamos com mais um problema, pois os fenômenos da ciência são descritos numa língua singular e tais descrições comportam as potencialidades de determinados vocabulários. Todos conhecemos as vicissitudes dos conceitos submetidos às traduções. São problemas familiares aos literatos e não aos físicos.


Pretendíamos que este número da revista que agora apresentamos ao leitor tivesse como título “Produções Brasileiras”, mas foi preciso recuar. O problema é demasiado extenso e vai muito além de nossas possibilidades atuais. Mantém-se, no entanto, a necessidade de nos debruçarmos sobre essas questões permanentes. Convidamos os leitores a refletir conosco, pois pretendemos em breve rever de modo mais amplo nossas definições de identidade. Para este número, adotamos mais modestamente o título “Reflexões Teórico-Críticas”. Esperamos que o realismo não afaste os desdobramentos que a ousadia do pensar possa propor.

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DIÁLOGO

O poeta e o psicanalista

Comentário à entrevista de Ferreira Gullar
Marci Dória Passos*


Resumo: A tensão entre uma linguagem poética excessivamente presa a regras formais e o risco de destruir a linguagem a ponto de matar a produção artística abre um espaço possível de criação. Esse é o ponto de articulação adotado para pensar uma prática analítica sem vigor, que aplica o que já saberia o analista, mero repetidor de proposições teóricas preestabelecidas, e uma clínica que se constrói a cada caso singular, exigindo que a teoria se faça posteriormente à experiência.

Palavras-chave: Ferreira Gullar; linguagem; clínica, arte; poesia..

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ARTIGOS

A experiência dos místicos e a do psicanalista sob o vértice de Bion
Odilon de Mello Franco Filho


Resumo: O autor explora a afirmação de que algumas condições mentais de acesso à experiência mística podem fazer parte da vivência psicanalítica. Essa aproximação confere ao psicanalista a possibilidade de empregar elementos da disciplina de alguns místicos para pensar a experiência da sessão, sem que isso signifique igualar as duas situações, ou entender a psicanálise como atitude religiosa ou mística.
A Bion, não passou despercebida essa aproximação, chegando ele a afirmar que os fatos psicanalíticos podem ser expressos adequadamente tomando-se como modelo a experiência dos místicos. Ao fazê-lo, ele a usa como construção provisória para dar significado aos fatos observados na experiência com o paciente. A partir dessa aproximação metodológica e adotando como modelo de postura as noções de negatividade, fé e experiência do indizível, que são aplicáveis à abordagem da realidade psíquica (o inconsciente), o autor retoma as contribuições de Bion para situar a psicanálise como experiência aberta ao desconhecido de cada sessão. A proposta da psicanálise não é decifrar a mente, mas colocar o analisando face ao mistério que ela representa, num contato que não pertence ao campo do discurso, mas constitui uma experiência emocional de transformação vivida na relação analítica.

Palavras-chave: sagrado, religião, experiência mística, modelo místico, negatividade, fé, realidade psíquica, verdade..

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O encontro psicanalítico como experiência estética
Adriana Rotelli Resende Rapeli


Resumo: A autora aborda a experiência estética entendida como a primeira inscrição psíquica e descrita como o “sentimento da sensação”. O nível estético traz as marcas da transição sensorial-psíquica e se caracteriza por um funcionamento mental ainda rudimentar, mas com possibilidades de expansão e refinamento. Assim, esse nível de experiência pode ser valorizado evolutivamente. É também assinalado que o ganho qualitativo representado pelo nível estético é adquirido intersubjetivamente, como pode ocorrer no encontro analítico. E, como fruto de uma relação com outra mente, essa experiência psíquica inicial já é considerada simbólica. Tal entendimento traz evidentes implicações para a abordagem da relação transferencial e se baseia principalmente no pensamento pós-kleiniano, em especial de Bion. A inclusão de material clínico e sua discussão, seguida de comentários teóricos, circunscreve a questão estética no encontro psicanalítico.


Palavras-chave: experiência estética, simbolização, encontro psicanalítico, pensamento pós-kleiniano. .

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Alteridade na clínica psicanalítica
Estela Ribeiro Versiani e Luiz Augusto Celes


Resumo: Norteado pela idéia de que a efetividade da análise reside no fato de esta tornar possível um re-conhecimento da alteridade, o presente artigo apresenta uma forma de compreender essa alteridade. Partindo da tese de Jacques André acerca da feminilidade primária, que se baseia na teoria da sedução generalizada de Jean Laplanche, sugere-se uma forma própria de conceber a alteridade re-conhecida em análise. Tal alteridade é considerada como sendo composta de três dimensões, a saber: o outro mim mesmo, o outro em mim e a alteridade irredutível. Um trabalho efetivo de interpretação em análise deverá, assim, promover o re-conhecimento desses três aspectos da alteridade.


Palavras-chave: alteridade, outro mim mesmo, outro em mim, sedução originária, feminilidade primária..

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Comportamentos não-verbais repetitivos e dimensionalidade psíquica
Sonia Maria Mendes E. Mestriner


Resumo: A autora reúne os conceitos de dimensionalidade psíquica, procedimento autocalmante, ato obsessivo e modo autístico de funcionamento para abordar a compreensão de certos comportamentos não-verbais repetitivos. Tais comportamentos podem se manifestar em sessões psicanalíticas e, muitas vezes, não são devidamente considerados pelos analistas. Este trabalho se vale do relato de sessões de uma cliente para ilustrá-los e discuti-los e para mostrar a maneira como ocorreu a inter-relação da dupla analítica. Os comportamentos aqui discutidos são expressões sensoriais de um nível uni e bidimensional da mente que operam como descarga da ansiedade e também como modos de defesa, a fim de que a pessoa obtenha uma precária coesão psíquica e um mínimo senso de identidade. As defesas obsessivas, além de constituírem um funcionamento de níveis neuróticos da personalidade, parecem funcionar também em níveis mais primitivos.


Palavras-chave: comportamentos não-verbais, dimensionalidade psíquica, procedimentos autocalmantes, atos obsessivos, modos autísticos..

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Mente. Infinito. Inexorável.
Cássia A. N. B. Bruno


Resumo: Desenvolvo considerações sobre um estado de existência maior, uma força maior da qual fazemos parte, força que transcende a individualidade e que tem a ver com um estar-no-mundo não por nossa vontade espontânea, mas por um fato inexorável. O modo de lidar com essa situação torna-se mais visível através da colocação transferencial de alguns analisandos. Bion denomina esse sentimento de “urge para existir”.


Palavras-chave: inexorabilidade da existência, filogenia, anorexia em homem, Bion, sentimento de “urge para existir”, silêncio..

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Cuidando do cuidador
Poder e sofrimento psíquico na residência médica

Marina Ferreira da Rosa Ribeiro
Maria Luiza Ferreira Forjaz


Resumo: As autoras descrevem o trabalho com um grupo de residentes de urologia, com o objetivo de promover um campo de reflexão da prática médica a partir do enfoque psicanalítico. O grupo teve como um de seus objetivos ampliar a captação da subjetividade na relação médico/paciente, sensibilizando o olhar clínico para além da objetividade da consulta médica. Foi possível trabalhar sobre as escolhas feitas no cotidiano dos atendimentos, valorizando a relação interpessoal, desenvolvendo a capacidade de diagnosticar o paciente e não somente a doença. Os estudantes familiarizaram-se com conceitos psicanalíticos, a partir de situações clínicas apresentadas por eles ao grupo. Observamos, na escolha da profissão de médico, a fantasia do poder, da imunização à dor, à doença e à morte, o que leva o estudante, no período da residência, a sofrer vários golpes narcísicos. O médico é treinado para salvar, curar, servir, e na maioria das vezes se sente demasiadamente responsável pelo paciente. Diante do naufrágio de tais ideais, os limites são experienciados como extremos, eclodindo sentimentos de inadequação e culpa. Colaborar com a estrutura egóica do residente para enfrentar as situações traumáticas a que estará exposto ao longo da vida profissional poderia ser de grande valia na formação do médico.

Palavras-chave: sofrimento psíquico, relação médico-paciente, onipotência/impotência, prática médica, urologia, residência médica..

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Sobre cesuras e tolerância de paradoxos
Adriana Salvitti


Resumo: Os conceitos de cesura, reversão de perspectiva e vínculo, desenvolvidos por W. R. Bion em momentos diferentes de sua obra, são apresentados aqui em mútua articulação, a partir de uma proposta de P. B. Tálamo (1997). Com isso, pretende-se favorecer a observação da dinâmica psíquica e de certas situações vividas entre paciente e analista. São discutidos dois casos clínicos, com a intenção de mostrar que esses conceitos ganham evidência através de uma evolução. A cesura, acompanhada da imagem da perspectiva reversa, revela um paradoxo que, tolerado, pode dar margem a uma comunicação de compreensão e insight.


Palavras-chave:
cesura, vínculo, reversão de perspectiva, evolução, paradoxo..

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Observando o trânsito da existência
Thaís Helena Thomé Marques

,
Resumo: A autora se vale de referenciais propostos por Bion para desenvolver considerações sobre o que denominou “senso de existência”. Reflete a respeito da precariedade do senso de existir e apresenta a idéia de uma função da inexistência que, opondo-se ao significado da falta, sustenta-se como um “senso de inexistência” ativamente mantido. Derivadas do que Bion denominou ideogramatização e trabalho de sonho alfa, são idéias que transitam pela concepção de reconstrução de tela de sonho alfa e/ou transformação de tela beta. A autora também investiga a possibilidade de a sensorialidade trazer em si o registro daquilo que poderia ser resgatado como significações da falta, hipótese demonstrada por meio de observações pessoais e de um caso clínico que ilustra o trânsito entre o inanimado e o animado, possível apenas pelo caminho do sonhar.


Palavras-chave:
Bion, sensorialidade, senso de existência, senso de inexistência, falta..

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Formação psicanalítica: uma nova instância de avaliação
Regina Murat
Carlos Alberto Quilelli Ambrosio
Roberto Bittencourt Martins


Resumo: O presente trabalho foi escrito para ser apresentado no XX Congresso Brasileiro de Psicanálise (Brasília, novembro de 2005), na mesa-redonda “Avaliação de Candidatos”. Portanto, aborda o tema da avaliação durante a formação psicanalítica. Apresentamos a avaliação como decorrência natural das atividades relacionadas à formação de psicanalistas e valorizamos tanto as auto como as heteroavaliações, formando um entrecruzamento da influência recíproca de alunos e professores, alunos e supervisores, alunos e coordenadores dos grupos de acompanhamento e avaliação contínua, os GAACs, inseridos na Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ) e na própria psicanálise. Nossa ênfase recaiu, entretanto, nos GAACs considerados como o quarto pilar da formação psicanalítica. O funcionamento dessa outra instância de avaliação que é praticada naqueles grupos foi destacado. Procuramos compartilhar nossas reflexões apresentando uma síntese de nosso respaldo teórico – basicamente, conceitos de Pichon-Rivière e trabalhos que realizamos anteriormente – e trazendo exemplos dinâmicos de algumas das experiências por nós vivenciadas. Aproveitamos para diferenciar os GAACs da psicoterapia de grupo.


Palavras-chave:
formação psicanalítica, GAAC/Grupo de Acompanhamento e Avaliação Contínua, didática, grupos operativos, avaliação..

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UM OLHAR ESTRANGEIRO


A leitura em espaços em crise
Michèle Petit


Tradução: Patricia Bohrer Pereira Leite e Claudia do Amaral de Meireles Reis
Resumo: Programas em que a leitura ocupa um lugar essencial são atualmente desenvolvidos em diferentes lugares do mundo, em espaços em crise – em situações de guerra ou de violência repetida, de deslocamento forçado de populações ou de degradação econômica abrupta. Numerosos profissionais (bibliotecários, professores, trabalhadores sociais ou humanitários, psicólogos, psicanalistas, escritores) recorrem à leitura, freqüentemente associada a outras atividades culturais, para ajudar crianças, adolescentes e adultos a se construir ou se reconstruir, e às vezes também como apoio a processos de aquisição da habilidade de ler e escrever. A partir de uma pesquisa em andamento, são levantadas pistas para explicitar os processos desencadeados por esses programas e para delimitar os benefícios que deles se podem esperar no campo da produção de significados, na elaboração da história pessoal e na recomposição dos vínculos sociais.


Palavras-chave: leitura, espaço em crise, simbolização, espaço transicional, reconstrução de significados, recomposição de redes sociais.

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