Editorial
João Baptista N. F. França
– 255
O bar no deserto.
Simetria e assimetria no tratamento de adolescentes
difíceis
Stefano Bolognini - 259
Entre a "balada" e
o convento: reflexões sobre análise
de adolescentes
Ana Maria Stucchi Vannucchi - 271
De quem é o desejo? A
reconstrução do desejo na anoréxica
Regina de Baptista Colucci - 285
O mundo objetal anoréxico
e a violência bulímica em meninas adolescentes
Marina Ramalho Miranda - 309
Na cultura do vazio, patologias
do vazio
Alicia Beatriz Dorado de Lisondo - 335
Desafios da clínica analítica
contemporânea
Raquel Elisabeth Pires - 359
Aspectos de um continente primário
Vera L. C. Lamanno-Adamo - 373
Interpretação:
sinais do campo analítico e transformações
emocionais
Antonino Ferro - 389
Interpretação e intersubjetividade:
algumas considerações
Antonio Carlos J. Pires e cols. - 403
História
História e genealogia
das idéias psicanalíticas latino-americanas
Paulo Marchon - 419
Interface
Estética, psicanálise
implicada e crítica de arte
João A. Frayze-Pereira - 443
Graciliano, Cabral e o Outro:
sobre as possíveis potencialidades terapêuticas
da relação autor/texto/leitor
Roberto Barberena Graña - 453
Resenhas
La figurabilidad psíquica
César e Sara Botella - 475
Você quer o que deseja?
Jorge Forbes - 479
Violence or dialogue. Psychoanalytic insights on terror
and terrorism
Sverre Varvin e Vamik D. Volkan - 481
Manual de Psicopatologia
Elie Cheniaux Jr. - 485
Lançamentos
- 489
Editorial
Neste número estamos abordando inicialmente
certos problemas da adolescência, trazendo ao
leitor uma primeira parte do nosso projeto de focalizar
casos que têm surgido em nossa clínica,
ligados ao que tem sido chamado de patologias do vazio,
casos limítrofes, distúrbios alimentares
e problemas narcísicos, nos quais as dificuldades
na estruturação do self levam a dilemas
teóricos e técnicos. Fatores socioculturais
certamente participam das modalidades clínicas
que têm aparecido nos consultórios e
constituem desafios para a nossa prática clínica.
Além dos trabalhos diretamente ligados a essas
questões, em outros artigos abordamos temas
e situações de técnica psicanalítica
nas quais a continência do analista e questões
de interpretação representam papel relevante.
A psicanálise começou com psicanálise
de adultos, e aos poucos foi se percebendo o alcance
e as riquezas da análise de criança.
Os diversos pontos de vista relativos a divergências
teóricas em psicanálise se referem a
diferentes itens de seu universo conceitual e da sua
prática clínica, mas penso que na base
de tais divergências encontramos, na maioria
das vezes, diferentes teorias de desenvolvimento;
por exemplo, as discussões sobre o início
das relações de objeto, sobre narcisismo
primário etc.
A adolescência permaneceu por muito tempo na
psicanálise como terra-de-ninguém, e
agora desponta como uma situação de
desafio, carregada de turbulência, e que nos
incita preocupação e curiosidade pela
sua ligação com os quadros clínicos
da atualidade.
Fase de transição no desenvolvimento
individual, se metaforiza no universo cultural que
vivemos: um mundo de transição; não
sabemos com certeza se estamos em um estado de "adolescência"
cultural ou de terrível angústia existencial
diante da geométrica evolução
que a humanidade experimentou; iniciamos um novo século
que logo se tornou cheio de incertezas e a possibilidade
de autodestruição gradativa ou repentina.
As posturas técnicas da nossa disciplina tentam
se adaptar a esses novos tempos.
A tradução que apresentamos de um criativo
trabalho de Stefano Bolognini apresentado em New Orleans,
nos traz, desde o início, imagens pictóricas:
os filmes de faroeste, com um deserto, um bar e seu
barman, que o autor nos apresenta como um possível
"terapeuta" de adolescentes da atualidade;
no vazio de uma estrada, de um rumo, há a possibilidade
de uma parada; há um ponto de apoio; será
porto seguro? Ou apenas porto possível? As
considerações técnicas do autor
lembram especialmente alguns aspectos da psicologia
do self, embora o autor procure discriminar seus próprios
pontos de vista daqueles da referida escola teórica,
destacando também a atenção necessária
para lidar com aspectos fóbicos (angústias
persecutórias) do paciente.
O trabalho "Entre o convento e a balada"
representa uma exposição dos graves
dilemas de nossos adolescentes; é também
um artigo de técnica com adolescentes, pois
quadros típicos são delineados pela
autora, com suas intensas ansiedades fóbicas
e contrafóbicas também referidas no
artigo anterior; Ana Maria Vannucchi se posiciona
com um modo de proceder mais ativo, ético e
responsável diante das incertezas e falta de
orientação do adolescente, sem cair
na pedagogia.
Uma outra patologia tópica de adolescentes
se refere às situações graves,
misteriosas e desastrosas que acompanham certos distúrbios
alimentares.
A anorexia nervosa, patologia conhecida desde os tempos
de Santa Catarina de Siena, tem sido presença
cada vez maior em nossos consultórios; sinal
dos tempos? A própria mídia se encarrega
de divulgar este quadro, chegando ao absurdo grotesco
de um site na internet, conforme divulgado pela revista
Veja, fazer apologia desses quadros.
Sobre o tema, Regina Colucci nos apresenta um caso
no qual certos aspectos da adolescente, particularmente
a questão do desejo, é focalizada; a
situação clínica é descrita
com detalhes; o desejo da paciente é colocado
nos pais e na analista, o que nos parece peculiar
a uma primeira vista; mas a situação,
de grande dificuldade técnica, se torna compreensível
dentro das características desses distúrbios
alimentares, nos quais ocorrem complexas relações
de simbiose com a mãe, atualizadas na transferência.
Marina Miranda aborda temática semelhante;
as diversas vinhetas de casos clínicos são
trazidos de maneira poética. No entender da
autora, angústias arcaicas se ligam a rupturas
na relação com a figura materna internalizada,
traduzindo uma história de paixões,
dependência e aprisionamento no corpo; estabelece-se
uma perversão do querer e uma solução
quase delirante. Em alguns casos, uma feliz relação
transferencial possibilita a compreensão de
detalhes das ansiedades do relacionamento mãe
e filha e a evolução do quadro clínico.
Fala-se muito em patologias do vazio; Alicia de Lisondo
nos abre o leque dessas patologias da atualidade,
trazendo situações clínicas e
desafios teorico-técnicos próprios de
nossos dias; introduz o conceito de vazio mental,
paradigma metapsicológico de uma série
de quadros clínicos da atualidade; destaca
o uso destrutivo da TV e do computador como emblemas
desse momento em que a realidade virtual substitui
a realidade real e a possibilidade de inscrição
de realidade psíquica através da relação
analítica.
Dentro do campo de casos difíceis da atualidade,
a questão da contratransferência é
abordada pelo trabalho de Raquel Pires, apresentando
casos em que o analista se encontra às voltas
com ameaças constantes de ruptura do setting,
que desafiam sua continência.
Nosso número também aborda casos teórico-clínicos,
como Vera Lamanno Adamo nos traz, prosseguindo suas
pesquisas teóricas em torno do conceito de
continente de Bion. Dentro desta perspectiva de trabalho,
ela incursiona por outras áreas, como dinâmicas
de vinculação corpo-mente e integração
psicossomática.
O conceito de continência foi se construindo
em psicanálise pela contribuição
de diversos autores; na sua experiência com
crianças, Winnicott abordou temas semelhantes
sem designá-los com este nome; Bion abordou
a questão da continência em descrições
de sensibilidade e densidade teórica. Essas
questões se repetem e se atualizam na clínica
de adolescentes, na qual a continência se impõe
como desafio.
Os estudos sobre contratransferência e continência
nos levam ao tema da intersubjetividade; trata-se
de conceito que se impôs, cada vez mais, na
teoria e clínica psicanalíticas; a intersubjetividade
se compõe e expressa diversos vieses que põem
em xeque algumas das atividades essenciais do trabalho
analítico: continência e interpretação.
A intersubjetividade é tratada em artigo, no
qual os autores, Antônio Carlos Pires e seus
colegas de Porto Alegre, compõem um exercício
e uma leitura sobre teorias e prática (com
ilustração e exemplos clínicos)
referidas a alguns dos analistas que mais têm
se destacado neste área: Baranger, Ogden, Renik
e Ferro.
Prosseguindo no terreno das ilustrações
técnicas e a respeito de interpretação,
temos a tradução do artigo de Antonino
Ferro, autor com quem tanto temos dialogado, e que
nos instiga a pensar além do factual e do manifesto
das sessões. Neste trabalho, Ferro apresenta
suas idéias originais sobre interpretação,
divergindo do modo habitual de se considerar o termo.
Como tem trazido em muitos de seus artigos, pensa
que o paciente vivencia, nas sessões, seqüências
de emoções que são reações
à fala do analista, e colocadas em imagens
pictóricas referidas por meio de seus derivados
narrativos.
Ferro propõe uma reformulação
do enunciado do paciente, em termos de interpretações
"fracas" ou não saturadas.
A participação dos dois elementos da
dupla é intensa, constante e impregnada de
carga emocional atual.
Neste
número trazemos ainda um estudo de Paulo Marchon
sobre a psicanálise na América Latina.
Em estilo coloquial e informativo, o autor relata
suas vivências pessoais, ao mesmo tempo em que
descortina a história do movimento psicanalítico
em nosso continente, a evolução a partir
dos seus pioneiros, suas reviravoltas e revoluções
teóricas e até mesmo um caráter
ético que percebe na evolução
referida; em um caso clínico, o autor exemplifica
alguns desses aspectos.
A psicanálise aplicada nasceu quase simultaneamente
com a clínica. Como movimento cultural, a psicanálise
foi bem-vinda e cultivada nos meios intelectuais da
Europa, ao contrário das restrições
que sofreu no meio médico quanto ao seu caráter
científico, tido como duvidoso, e sua metodologia,
inusitados para aqueles tempos, no início do
século XX. Aos poucos, as idéias e a
linguagem psicanalítica foram se divulgando,
particularmente através do cinema e da literatura,
alcançando enorme penetração
em certos meios, como nos Estados Unidos e na Argentina.
Ganhos de conhecimento e distorções
se multiplicaram.
No artigo de João Frayze-Pereira, o autor estuda
a interface arte e psicanálise, e a importância
das contribuições de Freud para a compreensão
e crítica de arte no século XX. Em um
estudo complexo, propõe o conceito de "análise
implicada" relacionando o pensar psicanalítico,
a experiência estética e a crítica
de arte.
Roberto Graña prossegue alguns dos seus estudos
que já apresentamos nesta Revista, pois já
tem abordado a relação entre teóricos
da psicanálise e filosofia; desta vez fala
da interlocução teoria literária
e psicanálise, trazendo para a nossa reflexão
a relação autor/texto/leitor. Seu campo
de estudo principal neste trabalho foi a vida e a
obra de Graciliano Ramos, referindo-se também
a João Cabral de Melo Neto. Aproxima narrativas
autobiográficas e narrativas ficcionais, procurando
um novo método de abordagem crítica
e relaciona sua teorização com aspectos
psicanalíticos da questão do Outro.
Arte e literatura apresentam muitos pontos de contato
com a criatividade e com as inquietações
de nossos dias.
No próximo número da Revista, dedicado
especialmente a casos difíceis da clínica
da atualidade, apresentaremos novos trabalhos a respeito
dos desafios que encontramos na clínica e da
tentativa de novas formulações teóricas.
João
Baptista N. F. França
Editor
O
bar no deserto. Simetria e assimetria no tratamento
de adolescentes difíceis
Stefano
Bolognini, Bologna
O autor
considera a oportunidade de uma alternância
adequada de momentos de simetria e de assimetria na
relação analítica (que precisa
ser mantida, porém, dentro da moldura clássica
de assimetria) para facilitar o trabalho e permitir
interpretações com um analisando que,
em geral, está assustado com a dependência,
é hostil aos representantes superegóicos,
tem necessidade de uma contenção não
declarada e de uma contribuição de base
para a coesão do self, como é o paciente
adolescente.
A história clínica narrada ilustra esse
modo específico de trabalhar, bem diferente
do modo comumente adotado na análise de pacientes
adultos.
O analista precisa ser capaz, por exemplo, às
vezes por um longo período, de renunciar a
interpretações muito freqüentes
ou brilhantes que ressaltariam a superioridade do
adulto, coisa que um paciente adolescente dificilmente
poderia tolerar.
Entre
a "balada" e o convento: reflexões
sobre análise de adolescentes
Ana
Maria Stucchi Vannucchi, São Paulo
A autora discute, neste trabalho, questões
fundamentais com as quais se defronta o analista de
adolescentes, diante dos riscos que a experiência
adolescente necessariamente oferece.
Utiliza como objeto de reflexão, dois casos
clínicos, de Sônia e de Wanda, que, com
características praticamente opostas, ilustram
várias situações de risco, seja
no sentido do excesso, seja no sentido oposto, da
inibição, do recolhimento.
Procura mostrar que o analista de adolescentes não
pode se omitir, quando se defronta com uma situação
de risco iminente para o adolescente, especialmente
quando isso envolve o uso indiscriminado de drogas,
da sexualidade, ou da própria vida. Acredito
que o perigo deva ser claramente mencionado, de forma
delicada, mas firme. O mesmo ocorre no outro extremo,
em que a inibição para o desenvolvimento
precisa ser apontada para que os aspectos fóbicos
em relação ao crescimento possam ser
elaborados e superados. Dessa forma, considero a análise
de adolescentes um "fio de navalha", em
que a omissão pode ser desastrosa, mas, por
outro lado, uma interferência frontal pode inviabilizar
o trabalho. Caminhamos, portanto, nessa corda bamba
onde a flexibilidade do analista é fundamental
para favorecer o desenvolvimento de uma identidade
plena e aberta a novas potencialidades.
Unitermos
Adolescência, riscos na adolescência,
excessos, inibições, flexibilidade do
analista.
De
quem é o desejo?
A reconstrução do desejo na anoréxica
Regina
de Baptista Colucci, Marília
A autora se propõe a pensar os fenômenos
vividos numa relação analítica
em um caso de anorexia. Parte da percepção
de que a analisanda não expressava desejos,
fato que trazia reflexos no trabalho da dupla. A vida
da relação e até a vida da própria
analisanda, passaram a ser desejo da analista e dos
pais, enquanto ela, de forma aparentemente passiva,
controlava e agredia o setting, da mesma forma que
se agredia, ao impor-se o sintoma que a trouxe. Atuava
na relação o seu conflito. A dificuldade
em deixar progredir e em desejar indicava o medo de
ser separada e sozinha diante do novo e do desconhecido.
A saída da infância e a entrada na pré-adolescência
requerem uma estrutura mental possível para
suportar o contato com a pressão interna das
pulsões e a pressão externa das dificuldades
para as quais é requerida.
Palavras-chave
Adolescência, anorexia nervosa, mutismo, negativismo,
catástrofe.
O
mundo objetal anoréxico e a violência
bulímica em meninas adolescentes
Marina
Ramalho Miranda, São Paulo
Nascida do encontro analítico surge a percepção
de que a anorexia e a bulimia são manifestações
de um sofrimento psíquico, sintomas orais que
escondem angústias arcaicas, ligadas a momentos
primitivos da constituição da psique,
especialmente no que concerne a rupturas precoces
na relação com a figura materna internalizada.
Uma história de paixões, mãe
e filha unidas numa intensa dependência e paradoxalmente
sentindo um horror a esta dependência que nutre
a relação, aprisionadas num mesmo corpo-cárcere,
numa perversão do querer, numa eterna busca
de completude para um vazio interior oriundo de seu
mundo objetal violento, procurando sentido para afetos
estampados no corpo e registrados na concretude de
seus atos.
Unitermos
Anorexia, bulimia, alimentação, relação
mãe-filha, angústias arcaicas.
Na
cultura do vazio, patologias do vazio
Alicia
Beatriz Dorado de Lisondo, Campinas
Na cultura atual, "era do vazio", as patologias
do vazio mental desafiam a psicanálise.
A era pós-moderna, que se identifica como era
do vazio e da imagem, caracteriza-se pelo individualismo
hedonista, personalizado e narcísico, pela
apatia, pela sedução generalizada, pela
legitimação de todos os modos de vida,
pela coexistência de contrários, pela
inversão dos ideais, em que a verdade é
soterrada.
A autora destaca o uso destrutivo da TV e do computador
como emblemas desse momento em que a realidade virtual
substitui a realidade real.
Escolhe o conceito nosográfico de vazio mental
como um paradigma metapsicológico que permite
abordar as variadas formas que este vazio pode aparecer
na clínica: neo-sexualidades, drogadição,
enclaves autísticos, bulimia, anorexia, patologias
narcísicas e do psicosoma. O vazio mental é
uma grave alteração estrutural da mente,
um continente que não pode albergar conteúdos.
É trabalho terapêutico fazer com que
EROS amortize o mudo, mas eficiente trabalho de THANATOS.
A proposta técnica, com estes pacientes, é
editar, permitir a inscrição psíquica
na relação transferencial, em vez de
reeditar.
Ilustra as hipóteses com uma experiência
clínica com uma adolescente em análise
e uma vinheta de Observação de Bebês
- Método Esther Bick.
Unitermos
Cultura do vazio , perigo da realidade vitual, patologias
do vazio, reformulações técnicas
à luz de novas patologias.
Desafios
da clínica analítica contemporânea
Raquel
Elisabeth Pires, São Paulo
A autora discute questões relacionadas ao manejo
técnico do borderline. Destacam-se as constantes
ameaças de ruptura do setting, a intensa mobilização
emocional presente nesses atendimentos e as repercussões
na mente do analista. Com relação ao
último aspecto são tecidas considerações
sobre a capacidade de rêverie, capacidade negativa
e "sobrevivência do analista".
Unitermos
Técnica analítica, borderline, mobilização
emocional, capacidade negativa.
Aspectos de um continente primário
Vera
L. C. Lamanno-Adamo, Campinas
Assentada na experiência clínica com
uma paciente que apresentava melanoma em fase avançada,
e estimulada pelas formulações de Winnicott,
Bion, Dejours, Ferrari e Damásio, a autora
propõe um permanente trabalho de ligação
entre corpo e mente, num movimento transformativo
nos dois sentidos: corpo<->mente. Baseada no
conceito de continente-contido elaborado por Bion,
discute-se a existência de um hipotético
continente primário para sumarizar uma complexa
malha de estruturas somatopsíquicas que tem
por função manter soma e psique em permanente
estado de ligação, conferindo a esses
funcionamentos diferentes níveis e ordens de
vinculação. Fragmentos de uma experiência
clínica são utilizados para ilustrar
essas noções.
Unitermos
Dinâmicas de vinculação corpo
e mente, integração psicossomática,
somatização, despersonalização,
pensamento operatório.
Interpretação
e intersubjetividade:
algumas considerações
Angela
Mynarski Plass, Porto Alegre
Maria de Fátima Freitas, Porto Alegre
Maria Regina Limeira Ortiz, Porto Alegre
Vera Lúcia N. Pereira Lima, Porto Alegre
Antonio Carlos J. Pires, Porto Alegre
Este artigo visa estudar
a maneira como os Baranger, Ogden, Renik e Ferro constroem
suas interpretações durante o encontro
analítico. São avaliadas, na medida
do possível, a coerência existente entre
suas proposições teóricas e a
técnica interpretativa daí decorrente
e, ao final, são feitas algumas reflexões
a esse respeito.
Unitermos
Interpretação, intersubjetividade.
Estética,
psicanálise implicada e crítica de arte
João
A. Frayze-Pereira, São Paulo
Um aspecto da crítica de arte contemporânea
encontra-se na abertura a outras perspectivas com
origens diversas - na filosofia, nas ciências
humanas e até nas ciências naturais.
A relação com a psicanálise é
particularmente interessante porque, no século
XX, constata-se a emergência de um sentir definido
no âmbito da afetividade e da emoção,
que não se deixa reconduzir com facilidade
às referências clássicas da estética
desenvolvidas na passagem do século XVIII para
o XIX. Nesse sentido, Freud pôde se colocar
como um autor de referência importante para
as artes do século XX, e também para
a crítica. Então, cabe perguntar não
só o que a psicanálise tem a receber
das artes e como a crítica faz uso da perspectiva
psicanalítica, mas, sobretudo, o que esta pode
oferecer à crítica contemporânea,
lembrando que as artes, na condição
de obras de cultura que ultrapassam o momento imediato
de sua instauração no mundo, resistem
ao reducionismo dos discursos sobre elas proferidos.
Assim, considerando criticamente os dois únicos
ensaios de Freud referidos às artes plásticas,
bem como algumas vertentes da psicanálise e
da estética contemporâneas, propomos
a noção de "psicanálise
implicada" que busca contemplar a especificidade
do modo de pensar psicanalítico na sua relação
com a experiência estética e com a crítica.
Unitermos
Arte, estética, crítica de arte, psicanálise
da arte.
História
e genealogia das idéias psicanalíticas
latino-americanas
Paulo
Marchon, Fortaleza
Pelo relato do seu desenvolvimento como psicanalista,
o autor comenta as idéias psicanalíticas
que estudou e acompanhou em sua vida. Conta também
a aparição e o desenvolvimento de novas
idéias e o impacto delas no cenário
brasileiro. Focaliza a psicoterapia analítica
de grupo, o lacanismo, a influência de Klein,
Bion, Kohut, Winnicott e a importância da psicanálise
argentina para a América Latina. Observa o
desenvolvimento expressivo que São Paulo, Porto
Alegre, Rio de Janeiro, Argentina, Chile, Uruguai
e outras regiões da América Latina estão
realizando. Mostra diferenças e semelhanças
entre seu trabalho anterior e atual, enfocando os
temas da "virada ética" kleiniana
na psicanálise, bem como a evolução
do conceito de Amor-Eros para Amor-Charitas, intimamente
ligado à consideração em relação
ao outro. Lembra Perestrello que, em 1974, já
dizia não haver medicina sem Charitas, equivalente
a amor e não caridade. Enfatiza o valor social
desta "virada ética". Atribui importância
ao perdão como meio pelo qual o ato pode atingir
um término, um fim.
Unitermos
Amor-Eros, amor-charitas, psicoterapia psicanalítica
de grupo, ética, vingança e perdão,
iluminismo, pluralismo teórico, passado e presente.
Graciliano,
Cabral e o Outro: sobre as possíveis potencialidades
terapêuticas da relação autor/texto/leitor
Roberto
Barberena Graña, Porto Alegre
Neste estudo objetivamos, principalmente, apresentar
um novo modelo de aproximação crítica
do texto literário, a partir da teoria psicanalítica,
que se sustente no diálogo transdisciplinar.
Por crermos que a teoria literária, a filosofia
e a psicanálise encontram cada vez mais dificuldade
em prescindir cada uma do suporte intertextual que
a outra pode oferecer, e que as três disciplinas
podem obter um benefício máximo de uma
abertura para esta interlocução, propusemo-nos
a ilustrar metodologicamente tal perspectiva, servindo-nos
para isso do estudo crítico da relação
entre a vida e a obra de Graciliano Ramos.
Entendemos que elas constituem duas dimensões
ou formas de apresentação do self do
autor, as quais deverão ser lidas e analisadas
a partir de um cotejo das narrativas autobiográficas
com as narrativas ficcionais, numa aproximação
entre vivência e texto que nos possibilitará
chegar a algumas formulações, as quais
julgamos consistentemente fundamentadas, sobre a relação
do autor com a obra e que estão intimamente
vinculadas ao uso da escrita e da leitura como atividades
subjetivantes, virtualmente terapêuticas, frente
ao compromisso implicado pelo humano suplício/deleite
de viver.
Unitermos
Graciliano Ramos, teoria literária, psicanálise,
filosofia, Outro, gozo, prazer, subjetivação.
Voltar
|