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Sumário
 
Editorial
João Baptista N. F. França - 461
 
Artigos
Histeria e estados-limite: quiasma. Novas perspectivas
André Green - 465
Em defesa da psicanálise. Crítica ao artigo "Ciências cognitivas e psicanálise: uma convergência possível", de Antonio Imbasciati
Osvaldo Marba Ribeiro - 487
Relação psicanalítica e interpretação transicional
Carlos Doin - 499
Gerando significados no trabalho com pais-crianças
Marisa Pelella Mélega - 531
Um self sem berço. Relato de uma intervenção precoce na relação pais-bebê
Maria Cecília Pereira da Silva - 541
"Abalos" nas mãos, "coisa de tremer": sobre a polifonia discursiva das perturbações de crianças
Aurea Maria Lowenkron - 567
A experiência nas fronteiras da psicanálise; relações transdisciplinares
José Otavio Fagundes - 585
Um outro olhar sobre a feminilidade: Feminino-singular, o primeiro sexo
Ambrozina Amália Coragem Saad - 603
As imagens oníricas na sessão analítica
J. A. Bockmann de Faria - 631
Aspectos de um continente complacente
Vera L. C. Lamanno-Adamo - 645
Tecendo a corporeidade no processo de mudança psíquica
Cândida Sé Holovko - 657
Notas sobre aspectos atuais da transmissão da psicanálise
Manuel José Gálvez - 679
 
Resenhas
Freud
Luiz Tenório Oliveira Lima - 703
Do sonho ao trauma: psicossoma e adicções
Decio Gurfinkel - 705
O ciclo da vida humana: uma perspectiva psicodinâmica
Cláudio Laks Eizirik e cols. - 709
Depressão, Estação Psique. Refúgio, Espera, Encontro
Daniel Delouya - 713
Além do Divã: um psicanalista conversa sobre o cotidiano
Antonio Luiz Serpa Pessanha - 716
As portas dos sonhos
Adélia Bezerra de Meneses - 718
 
Lançamentos - 721
 
Editorial
O leque de trabalhos que estamos aqui apresentando, desdobra uma série de abordagens da escrita psicanalítica, as quais perpassam pelos três vértices sobre o que é a psicanálise, tomando a definição que temos de Freud, ao falar no aspecto clínico, em uma teoria psicológica e no método psicanalítico. Em que setor pode se falar em crise da psicanálise? Seria no cerne de sua argumentação teórica, nas dificuldades que temos sentido em defender seu método, ou nos desafios da prática em nossos consultórios?
No interior da psicanálise, temos as teorias e a prática clínica a que estamos afeitos no nosso dia a dia e em nossas reuniões; abordaremos o assunto em alguns dos trabalhos aqui apresentados.
Estamos destacando, neste número, a questão das fronteiras da psicanálise, que visualizamos em diferentes perspectivas:
- há as interfaces com outras disciplinas, como a psiquiatria, as neurociências, a bioquímica, sem falar em literatura e filosofia;
- informados pela teoria que vamos acrescentando, em processo de expansão, podemos propor novas concepções e práticas clínicas? Exemplos seriam o uso de entrevistas terapêuticas, intervenção precoce e terapia familiar;
- o entendimento psicanalítico de situações fora do setting habitual é também fonte de reflexão e progresso, por exemplo, ao refletirmos sobre situações dinâmicas às quais temos acesso em situações de ambulatório, clínicas sociais, e outras situações especiais, no exercício de aplicações da psicanálise.
Iniciamos este número com um artigo de André Green, que traz a questão dos estados-limite e sua relação com a histeria. Artigo teórico, que aborda algo como "teoria geral das neuroses", no sentido de reavaliar o antigo problema da histeria e a relativamente nova questão dos estados-limite. São situações aparentadas? O autor traz suas considerações com um resumo de descrição clínica desses quadros, e seus aspectos metapsicológicos; seu enfoque privilegia os quadros das duas tópicas de Freud; apesar de dizer que não vai se estender sobre relações de objeto, acaba por fazê-lo, e traz considerações sobre afetos e representações.
O artigo de Imbasciati, publicado em número anterior - Rev. Bras. Psicanál.,
v. 36 (1) - provocou uma saudável reação, pois vários colegas têm se referido ao mesmo, a favor ou contra os argumentos daquele autor. Neste número, Osvaldo Marba Ribeiro trouxe sua contribuição crítica ao artigo do ilustre professor e colega italiano. Um dos pontos polêmicos, questionado por Marba, é o da primazia da experiência frente ao inato, pois Imbasciati valoriza a questão do traço mnêmico, como input organizador.
Independente do ponto de vista adotado pelo leitor, a Revista e seu corpo editorial, pensa ser muito proveitoso um debate de idéias, o que só pode enriquecer nosso quadro de referências em psicanálise.
Novas formas de aplicação ou desenvolvimento da psicanálise aparecem e têm sido estudadas; as propostas de Kaës e Enriquez sobre transgeracionalidade aparecem no artigo de Maria Cecília Pereira da Silva, uma versão para a Revista Brasileira de Psicanálise de parte de sua tese de doutorado, defendida recentemente; enquanto a intervenção no tratamento e na observação de crianças, um procedimento relacionado ao anterior, nos é trazido por Marisa P. Melega, mais centrado em ponto de vista, que é uma aplicação do método Esther Bick, de observação da dupla mãe-bebê.
José Otávio Fagundes coloca o assunto da integração da psicanálise com neuro-ciência e com tratamento medicamentoso; em seu polêmico artigo, parte do fenômeno clínico da depressão, suas diversas abordagens: a psicanalítica e suas possíveis interfaces. O autor encara o paciente deprimido em seus aspectos biológico, psicológico e social, justapondo e defendendo a teoria psicanalítica da depressão ao lado de considerações da psicofarmacologia.
No trabalho de Áurea Maria Lowenkron, temos outro artigo que situa a psicanálise na fronteira de suas relações com o social, abordando a questão da subjetivação a partir de moldes da sociedade. O funcionamento psíquico, as expectativas e defesas da família, contrastando com as mensagens do paciente, são vistas pelo olhar da psicanalista. Áurea estuda o caso de uma criança trazida a ambulatório pelos pais e focalizada à maneira de um estudo sobre psicopatologia infantil, no qual o modo como é encarado pelos familiares do paciente é trabalhado por uma leitura psicanalítica.
A seguir, apresentamos, a partir da expansão de nossas teorias, três trabalhos clínicos e seus desdobramentos.
Trazemos neste número novo trabalho de pesquisa de teoria a partir da clínica, no qual mais uma vez Vera L. C. Lamanno-Adamo traz sua rica contribuição. Vera parte de um tema central (o continente e suas modalidades) e vem ampliando sucessivamente o entendimento do mesmo, com novas abordagens calcadas na original; penso que esta é uma maneira de progredir teoricamente na nossa disciplina
Outro artigo teórico-clínico é apresentado por Bockman de Faria que nos expõe seu recorte das idéias de Antonino Ferro sobre formações oníricas. O autor rastreia os novos conceitos de Bion, Meltzer e Ferro sobre o sonhar, a partir de suas origens em Freud.
Cândida Sé Holovko traz instigante e perturbador material clínico, no qual propõe sua leitura e uma nova maneira de lidar com certos pacientes, nos quais comportamentos regressivos e outras particularidades, apontam para a importância do corpo e sua linguagem, que se fazem sentir no processo de comunicação analítica, provocando emoções e intervenções do analista.
Carlos Doin traz sua experiência sobre clínica e sobre psicanálise. Seu artigo é um testemunho de sua forma de ver a psicanálise, depurada por longa vivência de analista e professor.
O conceito de interpretação é particularmente focalizado pelo autor, dentro de perspectiva winnicottiana, com sua proposta de "interpretação transicional".
Ambrozina A. C. Saad apresenta um artigo sobre um difícil e apaixonante tema, a feminilidade. Este terreno desconhecido, ou "continente negro" para Freud, tem sido muito estudado recentemente; no artigo, há uma quantidade grande de conceitos que se cruzam e se superpõe. A própria delimitação do tema e seus muitos desdobramentos são trazidos pela autora, em trabalho de difícil síntese, no qual coloca a feminilidade como o primeiro sexo.
O artigo de Luiz Meyer sobre análise didática foi discutido já em Nice, publicado em número anterior da Revista Brasileira de Psicanálise (v. 36, n. 1) e discutido no Congresso da Fepal. A formação psicanalítica está na ordem do dia, pois a psicanálise vive de sua prática clínica e não podemos tratar dos pacientes in effigie, como dizia Freud, em um contexto um pouco diferente.
Em um momento oportuno no qual as questões de formação analítica vêm sendo discutidas nos Institutos, estamos trazendo aqui o artigo de Manuel Jose Gálvez, uma versão do trabalho sobre formação discutido no recente Pré-Congresso Latino-Americano, com uma proposta de centralizar a mesma em torno da supervisão, num artigo calcado nas idéias de Meyer e com oportuno levantamento de problemas na formação e na prática psicanalítica da América Latina e do mundo todo.
Completamos o número com nossas resenhas habituais, agora a cargo de Maria Thereza de Barros França.
Como já foi divulgado, o número 4 deste volume será dedicado à obra de Donald W. Winnicott.
João Baptista N. F. França
Editor
 
Em defesa da psicanálise. Crítica ao artigo "Ciências cognitivas e psicanálise: uma convergência possível", de Antonio Imbasciati
Osvaldo Marba Ribeiro, Santos
O autor discorda de várias colocações de Imbasciati; afirma que não é possível aceitar a hipótese de que o êxito no processamento das informações e sua codificação na memória dão origem àquelas estruturas funcionais que regulam os vários comportamentos; não concorda com sua colocação da primazia da experiência frente ao inato. Pensa que Imbasciati subentende Bion de uma maneira equivocada ao usar o "aprender COM a experiência" como se Bion não valorizasse o inato, esquecendo-se do conceito de "pré-concepção" bioniano.
Em sua leitura, fica com a impressão que Imbasciati incorre no erro comum de acreditar que existe uma realidade externa ou interna, de fato, concreta, que deve ser lida por uma estrutura, a qual, por sua vez, é originada por traços mnêmicos que constituem (ou se transformam em) funções mentais; considera que essa passagem de traço para função não foi esclarecida. Imbasciati coloca que os primeiros inputs aferentes podem se organizar para formar as primeiras estruturas elaborativas, de modo a poder "ler" e organizar as sucessivas aferências e que um conjunto aferencial deve ser "lido" por alguma estrutura funcional preexistente qualquer. Ao mesmo tempo ele também coloca que "para que uma tal estrutura seja construída é necessária uma aprendizagem qualquer".
Parece um beco sem saída mesmo para Imbasciati, pois este praticamente termina o artigo com a pergunta: "Se para aprender é preciso uma estrutura protocognitiva que saiba utilizar a experiência, e se, para que uma tal estrutura seja construída é necessária uma aprendizagem qualquer, onde, quando e como se começa?".
 
Unitermos
Ciências cognitivas psicanálise convergência.
 
Relação psicanalítica e interpretação transicional
Carlos Doin, Rio de Janeiro
O autor delineia seu modo atual de trabalhar psicanaliticamente, enfatizando a importância da atenção contínua sobre as ocorrências da relação analítica dual, as quais se expressam através de diferentes meios, verbais e extraverbais. São feitas algumas considerações em torno do conceito de interpretação, e certas distinções entre interpretação relacional, interpretação extra-relacional e interpretação transferencial. É apresentado o conceito de interpretação transicional, no contexto das visões de Winnicott sobre objetos, espaço e fenômenos transicionais. O autor utiliza algumas vinhetas clínicas para ilustrar as idéias que propõe no texto.
 
Unitermos
Relação psicanalítica interpretação relacional interpretação extra-relacional interpretação transferencial interpretação transicional.
 
Gerando significados no trabalho com pais-crianças
Marisa Pelella Mélega, São Paulo
O propósito desta comunicação é apresentar configurações que emergem como sonhos ou imagens oníricas, principalmente expressas em atividades lúdicas de crianças durante as sessões pais-criancas com uma abordagem denominada "Intervenções terapêuticas conjuntas pais-crianças".
Esta abordagem usa como modelo o método de Observação Esther Bick, a compreensão ao funcionamento dos grupos trazido por W. Bion e as contribuições de D. Meltzer acerca das funções parentais. Tal procedimento clínico tem como alvo principal promover comunicação e compreensão de situações-problema no grupo primordial, a família, que motivaram o pedido de ajuda.
É uma abordagem de curta duração, tempo suficiente para que emerjam as interações conflitivas entre os participantes, agora num enquadre criado pelo analista em que a atenção e a continência permitam que elementos esparsos sensoriais e emocionais possam se encontrar, unir-se e evoluir para significados, tornando mais fácil a operação de pensar.
Uma das tarefas do analista nesta abordagem é observar e descrever para o grupo interações entre seus participantes que se opõem à compreensão e interferem na solução dos problemas apontados.
A tarefa do grupo primordial é originada da prática das funções parentais.
Por meio das sucessivas configurações durante as sessões examinamos as transformações das experiências emocionais em imagens visuais, o que Bion considerou o trabalho alfa do sonho e Meltzer expôs amplamente em Dream Life.
A seguir descrevemos algumas vinhetas recortadas de sessões pais-crianças com o propósito de enfatizar as transformações em imagens lúdicas de fantasias inconscientes de um menino de três anos.
Em nossa visão, tais imagens são equivalentes às imagens oníricas dos adultos que, não obstante, não puderam ser sonhados.
 
Unitermos
Significados Método de observação Esther Bick grupo primordial funções parentais imagens oníricas configurações lúdicas comunicações pré- verbais.
 
Um self sem berço. Relato de uma intervenção precoce na relação pais-bebê
Maria Cecília Pereira da Silva, São Paulo
Este trabalho, por meio de um relato clínico, inserido num contexto de atendimento de consultas terapêuticas, mostra como um bebê com um transtorno de sono expressa uma patologia fruto da transmissão psíquica através das gerações, via identificações mórbidas.
Procura correlacionar a angústia da mãe de conter a dor de separações violentas e o medo terrorífico de morte por parte do pai, com os terrores que podem ser identificados na história emocional que vem desde os avós e resultam na dificuldade de dormir de Maria Clara. É possível, ainda, identificar nos pais a introjeção conflituosa das figuras parentais, com fantasias edípicas e incestuosas não elaboradas e impeditivas da constituição de um casal. Ao longo do atendimento, desvela-se que a menina-bebê tem como mandato transgeracional clarear o que ficou escuro na história de vida dos pais.
Por fim, discute-se como, pelo atendimento da família no modelo proposto por Winnicott e Lebovici de intervenção precoce, o sintoma expresso por Maria Clara pôde ser elaborado, clarificado, deixando de ser, ela mesma, a depositária dos fantasmas ancestrais, permitindo seu desenvolvimento emocional, assim como dos outros membros da família.
 
Unitermos
Intervenção precoce relação pais-bebê transtorno de sono transgeracional identificações mórbidas.
 
"Abalos" nas mãos, "coisa de tremer": sobre a polifonia discursiva das perturbações de crianças
Aurea Maria Lowenkron, Rio de Janeiro
A autora discute mudanças e permanências no campo da psicopatologia infantil, a partir da premissa de que a sociedade, a cada época, promove modos preferenciais de subjetivação e fornece, para os sentimentos e os comportamentos humanos, certas significações instituídas que guiam a apreensão, interpretação e categorização de fenômenos empíricos. Daí a mobilidade histórica do campo da psicopatologia, pautada em inclusões e exclusões de categorias diagnósticas, novas teorias etiopatogênicas e ofertas terapêuticas. Há um aumento de demandas subordinadas a paradigmas médicos, onde antes havia a suposição de um sentido subjacente, que convoca a interpretação. Uma situação clínica ilustra efeitos de um reducionismo biologizante que serve ao objetivo de evitar a responsabilidade pelo próprio destino, delegando a tarefa ao médico.
 
Unitermos
Psicanálise e atualidade sintoma psicanalítico sintoma médico psicopatologia infantil novas demandas inter-relações.
 
A experiência nas fronteiras da psicanálise; relações transdisciplinares
José Otavio Fagundes, São Paulo
O autor apresenta aspectos psicanalíticos e neurobiológicos para a compreensão da clínica das depressões, pensando o deprimido como um ser biopsicossocial e examinando as fronteiras entre psicanálise, neurociência e psiquiatria. Aponta para os riscos de um reducionismo biológico que traz o perigo da perda da subjetividade psíquica em favor da objetividade; com isso a psicanálise fica em oposição à psiquiatria, em vez de uma associada à outra.
O caso clínico procura mostrar a dinâmica de um deprimido, vivendo sentimentos de perda do amor pelo objeto e conseqüente perda da auto-estima, usando defesas maníacas para se estabilizar. Esses sentimentos foram reativados na relação transferencial, e à medida que houve continência, empatia e transformação por parte do analista foi possível criar um espaço para o analisando pensar sobre essas vivências dolorosas. Com isso o contato com seu mundo interior conflitivo e sua subjetividade foram tomando o lugar das inquietações colocadas no mundo externo. Embora o uso de antidepressivo fosse indicado durante o processo, só quando o paciente se apossou mais de sua subjetividade é que pôde fazer uso dele, o que o ajudou a se integrar ainda mais.
 
Unitermos
Mente-corpo psicanálise psiquiatria depressão mania subjetividade perda ressentimento raiva integração.
 
Um outro olhar sobre a feminilidade: feminino-singular, o primeiro sexo
Ambrozina Amalia Coragem Saad, Goiânia
O trabalho aborda o tema da feminilidade sob um novo olhar, no sentido de compreendê-lo de uma forma diferente do que tradicionalmente se vem fazendo, isto é, segundo o modelo fálico-castrado, o monismo sexual freudiano.
Na esteira da contribuição que nos é oferecida especialmente pela escola francesa, e de acordo com as proposições de autores como Monique Schneider, Monique David-Ménard, Jacques André, Janine Chasseguet-Smirgel e, entre nós, por Joel Birman, é possível vislumbrar nas linhas e nas entrelinhas dos escritos de Freud uma interpretação outra do que seja a feminilidade, encarada agora como condição originária constitutiva dos humanos, sejam homens ou mulheres.
Questões imbricadas ao tema e relacionadas à diferença sexual, à mulher, ao feminino, ao gênero e à sexualidade feminina superpõem-se à da feminilidade e serão consideradas ao longo do texto, para melhor compreensão do tema. Trata-se, pois, de um estudo exploratório inicial ao qual a autora pretende dar continuidade a fim de possibilitar a construção de um quadro teórico coerente e que viabilize uma tomada de posição acerca do assunto.
 
Unitermos
Feminino feminilidade diferença sexual sexualidade feminina identidade de gênero bissexualidade mulher.
 
As imagens oníricas na sessão analítica
J. A. Bockmann de Faria, São Paulo
O autor examina neste trabalho as cenas visuais que alguns pacientes percebem quando entregues à associação livre, conhecidas como flashes visuais, pictogramas ou fotogramas oníricos de vigília, colocando em destaque o seu grande valor informativo - quando comunicadas ao analista - sobre o que ocorre na mente do analisando e no espaço simbólico partilhado pela dupla analítica, valor este idêntico ao dos sonhos noturnos relatados em análise.
Exemplificando com alguns casos observados em seu trabalho analítico, traça um caminho de pesquisa que remete aos primeiros tempos de Freud, em lida com imagens visuais de seus pacientes, continuando com os estudos de Bion, Meltzer e Ferro sobre a existência de um fluxo contínuo de pensamentos-sonho inconscientes, a percepção do qual pela consciência originaria essas cenas visuais.
 
Unitermos
Icônico concentração imagem onírica de vigília fantasia visual fotograma pictograma.
 
Aspectos de um continente complacente
Vera L. C. Lamanno-Adamo, Campinas
Tentativas de expandir o modelo de continente-contido elaborado por Bion (1962a, 1962b) , e de utilizá-lo como um instrumento de investigação dos distúrbios de pensamento que se apresentam na situação analítica, levaram a autora a conjeturar dinâmicas de relação continente-contido (Adamo e Lamanno-Adamo, 1977; Lamanno-Adamo 1999; Lamanno-Adamo, 2000).
Neste trabalho, por meio de uma experiência clínica, discute-se um hipotético continente complacente que diz respeito a uma estrutura psíquica vigorosamente mantida que retém do contido somente o que agrada, o que pode ser acomodado, a cada momento, sem conflitos. Por meio de uma dinâmica de acomodação ideal, o continente complacente apaga os desacordos, as contradições, limites e diferenças, reconhecendo somente os familiarizados lugares comuns. Resulta daí raciocínios fraudulentos, pseudo-lógicas, concepções construídas a partir de artifícios ou manobras ardilosas para manter um sistema narcísico defensivo.
 
Unitermos
Dinâmicas continente-contido complacência transferência perversa defesa narcisística.
 
Tecendo a corporeidade no processo de mudança psíquica
Cândida Sé Holovko, São Paulo
A partir de um relato clínico a autora levanta questões sobre o processo de enraizamento da psique no soma, examinando como algumas manifestações somáticas da analisanda podem ser vistas como sinais de um processo transformador, que marca a passagem de um corpo escondido, não nomeado, esquecido no universo de defesas para um corpo banhado pela imaginação, um corpo mais integrado e harmonioso com a psique. Examinar como algumas manifestações somato-psíquicas podem cumprir um papel de atrair a psique de volta à associação original e íntima com o soma, é o objetivo maior deste trabalho.
A ênfase é colocada nas somatizações que ocorrem numa fase imediatamente anterior ou concomitante a momentos de mudança psíquica evidentes. Considerações a respeito de Mudança Catastrófica são abordadas. Algumas idéias de Bion, Ferrari e Winnicott a respeito de manifestações psicossomáticas, são utilizadas como suporte para as indagações.
A autora tece algumas suposições com base na interpretação do seu relato clínico e propõe repensar a técnica analítica em momentos de forte crise somato-psíquica na sessão.
 
Unitermos
Somatização psicossomática corporeidade mudança psíquica mudança catastrófica turbulência emocional cesura rêverie função alfa protomente.
 
Notas sobre aspectos atuais da transmissão da psicanálise
Manuel José Gálvez, Buenos Aires
A primeira parte deste trabalho refere-se à transmissão da psicanálise em seus aspectos de idealização, identificação, infantilização, ideologização e ilusão, seguindo as idéias de Luiz Meyer quanto à formação analítica em seu conjunto, e destacando a questão do fetichismo.
A segunda parte trata da supervisão de formação (didática). Alguns aspectos da bibliografia corrente dos últimos anos sobre o assunto são revistos. De acordo com tendências de analistas da comunidade internacional, o autor propõe que a supervisão se constitua como o centro da transmissão da psicanálise, o que implica que a análise do analista passe a ser separada da transmissão institucional, modalidade que comporta diversas possibilidades.
A terceira parte, intitulada "os tempos atuais", trata do desafio da "construção da análise" em situações de análise que em outros tempos não eram considerados e que constitui a maior parte de nossos pacientes de hoje. A opção entre "fabricar" uma análise e "construi-la" acarreta problemas de regulamentos quanto à supervisão. Ressalta-se a necessidade de reconhecer "pedidos latentes" de análise.
 
Unitermos
Transmissão análise didática supervisão fetichismo imaginação idealização ideologia.
 
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